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Está é uma página suplementar do blogue Construindo História Hoje (http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com.br), estando a mesma vincula de modo factual ao blogue original e tendo as mesmas prerrogativas. As postagens apresentadas aqui podem conter conteúdo que expanda o universo dos estudos históricos para outras áreas e podendo ir além com abordagens variadas tão quantas o conteúdo. Deste modo distingui-a do blogue original que possuí seu foco unicamente nos estudos históricos.

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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O que são os Vedas?


Basicamente os Vedas são as quatro escrituras básicas (Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas),  os Puranas (cujo principal é o Srimad Bhagavatam), os épicos - o Mahabharata (do qual o Bhagavad-gita é a seção mais importante) e o Ramayana, os Upanishads, os Sutras (mais famosos sendo o Vedanta Sutra e o Yoga Sutra), as ciências auxiliares (ayurveda, astrologia, etc.) e os comentários ou livros escritos pelos grandes mestres baseado nesses textos.

As quatro escrituras, Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas, descrevem os elaborados rituais e mantras usados na religião do povo nos tempos védicos, que se centrava na adoração de semideuses (ou deuses da natureza). Assim, como encontramos praticamente em toda a parte do mundo antigo (Grécia, Roma, Egito, Norte da Europa, América do Sul, etc.) a adoração de seres como o deus do sol, deus dos ventos, do mar, etc., também encontramos exatamente isso como sendo a religião popular da época védica. Por envolverem intricados rituais que não são mais seguidos, essas quatro escrituras não são úteis atualmente. Nelas praticamente não encontramos a verdadeira jóia do conhecimento e práticas espirituais de auto-realização em yoga, em puro amor ao Senhor Supremo.

Os Upanisads são muito em número (mais de 108). São tratados filosóficos sobre a Verdade Última, sobre a Realidade. Entre os Upanishads, um dos mais importantes é o Sri Isopanishad (disponível em Português impresso e em áudio MP3). Ele se destaca por ser o único que é diretamente parte de uma das quatro escrituras básicas, sendo parte do Yajur Veda.

O Srimad Bhagavatam é o Purana mais famoso e um livro de espantosa beleza, profundidade, riqueza, filosofia e sabedoria. Ele revela em grande detalhe a natureza de Deus, da alma, do “reino de Deus”, do mundo material, do processo de auto-realização, do problema e inutilidade inerente da adoração de semideuses e importância de buscar Deus acima deles, do efeito da consciência na matéria e vice-versa e muito mais. O livro tem 12 Cantos, com mais de 14 mil versos. Sua versão traduzida e comentada por Srila Prabhupada contém 19 mil páginas e está disponível em Português.

O Bhagavad-gita tem toda uma posição especial dentre os Vedas (ou literatura védica), pois apresenta o aspecto mais refinado da filosofia e prática espiritual védica - o caminho da auto-realização em yoga. É um resumo de toda a espiritualidade e filosofia da cultura védica. É o texto mais importante sobre yoga e auto-realização e é aceito como o livro base da tradição da espiritualidade e religião da Índia.

No Bhagavad-gita se descrevem as diferentes etapas do caminho do yoga (karma, jnana e bhakti). De todas as práticas de yoga, Krisna explica no Bhagavad-gita, no verso 6.47, que a prática superior é bhakti-yoga (yoga com devoção ou consciência de Krishna). A conclusão do Bhagavad-gita é que a essência de todo o conhecimento védico é a pura consciência de Krishna. Essa declaração encontramos no Capítulo 15, verso 15, onde Krishna diz, “Através de todos os Vedas, é a Mim que se deve conhecer. Na verdade, sou o compilador do Vedanta e sou aquele que conhece os Vedas.”.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A AÇÃO MULTIFORME DAS TREVAS



O espírito do mal não declara abertamente o que pretende destruir. Finge-se moralista, fala a linguagem do pansexualismo freudiano, pregando a libertação dó indivíduo dos recalques que diz perniciosos à saúde. Finge-se salvador das classes oprimidas nas quais destila o ódio, que nada constrói. Diz-se até defensor da religião, por cuja liberdade afirma bater-se e assim  consegue de muitos perigosa complacência. Anuncia-se o grande libertador: liberta os filhos do respeito aos pais e os pais das obrigações perante os filhos; os cônjuges da fidelidade recíproca e dos laços do matrimônio; os ricos do dever de acudir aos pobres; e todos e cada um do amor do próximo e de Deus. É ele, o eterno rebelado, que entra nas vossas casas, sob a forma dos livros da literatura corrente — a brochura divulgadora da ciência barata, o romance a esvurmar
misérias subjetivas contagiosas, a poesia dissimulando na decomposição expressional um subromantismo corruptor, o ensaio crítico, sociológico ou político, deitando o fumo da confusão, as revistas ilustradas exaltando o nudismo das estrelas de cinema e a exibição da alta sociedade a acender nas cabecinhas oxigenadas ou platinadas uma sede de luxo entontecedora.
É ele quem pontifica nos teatros, utilizando-se da técnica mais eficaz para impressionar o subconsciente com a sugestão de quadros e atitudes deletérios de que se vestem as teses de rótulo meritório; é ele quem prepara certos trechos de filmes cinematográficos de requintado
realismo sincronizado contra o qual os espíritos mais fortes dificilmente conseguem reagir; é ele
quem desenvolve o conceito da moral utilitária, baseada no falso direito da satisfação dos apetites individuais; é ele quem se erige em advogado dos direitos da mulher, pretendendo torná-la competidora ridícula do homem no exercício de atividades inadequadas, inspirando-lhe repúdio à proteção paterna ou conjugai, a fim de colocá-la, pelas condições fisiológicas que estruturam os peculiares instrumentos da sua sensibilidade, numa posição indefesa que a conduz à queda fácil, à degradação do espírito e do corpo e à escravização deprimente cujo epílogo é a disponibilidade compulsória e o desprezo geral quando soar o fim da mocidade
e dos encantos físicos.

Salgado, Plínio. Primeiro Cristo, Editora Voz do Oeste/MEC, São Paulo, 1979.









“Profetas”. Rasputin.



Rasputin é uma daquelas figuras que entraram para história mais devido à ignorância dos que o cercavam e pelo oportunismo do que por méritos que fizessem a diferença para o povo da Rússia e para o Czar. Um exemplo de “profeta” dos interesses daqueles que o cercavam. O restante da história é cercada de mito na sua vida e morte.
A última Czarina da Rússia dizia que Rasputin era uma criatura mística e dotada de poderes especiais. O monge IIiodor, seu inimigo, chamava-o de “diabo santo”. E o embaixador francês em Moscou Mauricie Paléologue, descrevia-o para o seu governo como uma pessoa “elogiada por muitos, maldita por outros tantos, mas temida por todos”.
Quem era, afinal Grigori Lefimovitch, mais conhecido como Rasputin por causa da aldeia onde nascerá, Pokrovskoye, cujo nome original era Padkino Rasputje.
Uma analise apurada de toda a documentação que ficou sobre sua vida mostra que Rasputin não era uma pessoa de bons costumes por assim disser, mas embora não se pudesse afirmar que fosse mal, estava mais pra um oportunista; tinha seus hábitos libertinos, o que mostra que ao contrario do que muitos demagogos afirmam não era nenhum santo. Era um homem exuberante, dotado de qualidades, mas tinha também muitas fraquezas, pois aqueles que o conheciam pessoalmente afirmavam ele ser cheio de contradições intimas. Acabou encontrando-se em um ambiente particular em um momento também particular da história de seu país, sem estar preparado para a ambas as situações”.
De qualquer modo, acreditavam que possui-se qualidades incomuns. Uma delas era supostamente ser capaz de prever o futuro. Rasputin teria previsto a própria morte, o extermínio da família imperial russa, o segundo conflito mundial e muitos outros acontecimentos.


Rasputin nasceu em 1872 e logo começou a trabalhar com o pai que era carroceiro.
Aos 22 anos afirmava que teve o que chamou de “uma visão divina“. Enquanto estava arando um campo, ouviu a suas costas um canto angelical e ao virar-se viu uma figura de Nossa Senhora, acompanhada por um grande número de anjos.
“Foi como um aviso”, comentaria anos depois porque acabou se encaminhado para a vida religiosa.
Passado algum tempo, Rasputin travou conhecimento com o noviço Mileti Saborovsky, estudante da academia eclesiástica que lhe pedira para levá-lo ao mosteiro de Werchoturje. Durante a viagem os dois jovens falaram muito sobre a “verdadeira fé em Deus”, chegados ao mosteiro, o seminarista acabou por convencer Rasputin a não retornar, ficando em companhia dos monges. Foi uma longa estada, durante a qual Rasputin teve contato com muitos monges que para lá eram enviados para serem “purificados”, uma vez que haviam sofrido desvios heréticos”.
No fim desse período ele começa a missão do camponês siberiano. Viaja de aldeia em aldeia, “prega”, “abençoa”, “conforta”. As pessoas começam então a falar desse religioso que se dedica a consolar os humildes e, na transmissão oral dessas notícias, a realidade ganha os retoques da fantasia. Os relatos dizem que possui poderes excepcionais, que é capaz de curar os doentes, que seus olhos possuem “um fascínio angélico e ao mesmo tempo diabólico”.
Essas histórias chegam até a aristocracia russa que o descreve “como um homem inquieto, como se procurasse alguma coisa. Tem voz rouca, o comportamento rude dos camponeses e mãos cheias de calos. Fala sobre temas religiosos e místicos com entusiasmo invulgar. E com entusiasmo igual discorre sobre as fraquezas humanas.”
Em pouco tempo torna-se um dos favoritos da elite russa de então, e com o sucesso melhoram suas condições econômicas.
Seu poder, entretanto, alcança um ponto ainda mais alto quando consegue supostamente “curar” o herdeiro do czar. O Príncipe Alexei era hemofílico, que ficou ferido ao brincar no jardim. Rasputin foi chamado pela própria czarina, passou a mão sobre o menino em oração e o mesmo sarou rapidamente.
Depois de algum tempo, os conselheiros do czar decidiram sugerir ao soberano que afastasse Rasputin da corte. Estavam surgindo muitos rumores estranhos a respeito desse personagem misterioso. O Czar Nicolau II acabou cedendo e ofereceu a Novykh (como Rasputin era chamado na corte) a soma de 200 000 rublos, uma importância enorme para a época, com a condição de deixar a corte e ir para uma aldeia bem afastada da capital. Mas Rasputin recusou. O czar então usou outros meios para afastar o “vidente” e Rasputin, ao deixar a capital, aparentemente amaldiçoa o czaréviche ( Alexei, o hemofílico herdeiro do trono), dizendo que o mesmo ficaria novamente gravemente doente se  o czar o afastasse de São Petersburgo.
E foi o que ocorreu. Mas se foi pela maldição tenho dúvidas, pois o mesmo era portador de uma doença grave até para a atualidade, então as chances de voltar a ficar doente novamente eram grandes, questão de oportunismo de Rasputin.
A czarina manda buscar o vidente e este, depois de conseguir novamente a “cura” do príncipe herdeiro, instala-se definitivamente na corte imperial.
Em sua nova fase, atinge o nível máximo de poder quando consegue nomear Sturmer ministro. Nessa época, contam os biógrafos, o czar já não tomava nenhuma decisão importante sem antes consultar Rasputin, o que começou a incomodar tanto os conselheiros imperiais quanto outros membros da aristocracia.
Um destes, o Príncipe Felix Yussupov, organizou uma conspiração contra Rasputin com a colaboração contra Rasputin com a colaboração do Grão-Duque Dimitri Pavlovitch – conspiração destinada a ter um resultado melhor que a tentativa já feita anteriormente pelo monge IIiodor, dois anos antes, quando levou a prostituta Kionya a esfaquear o “vidente”, convencida de estava matando o Anticristo.

O relato que segue possui diversas versões, mas mesmo as mais sutis demonstram que beira mais o mito do que a realidade. Preenchendo os requisitos para a criação de um grande final para o “profeta” ou “vidente” Rasputin.

O Príncipe Yussupov convidou Rasputin para seu palácio, onde lhe ofereceu doces de chocolate recheados de cianeto e vinho ao qual também havia sido adicionado esse veneno. Rasputin comeu e bebeu em grande quantidade, mas não deu nenhum sinal de envenenamento, o que perturbou os conspiradores. O Príncipe, então, passou a tocar guitarra, conseguindo que Rasputin dormisse, e aproveitou esse estado para lhe disparar um tiro no coração, com o fim de “abreviar sua agonia”.
Algum tempo depois, quando o príncipe e seus aliados voltaram para se livrar do corpo do “vidente”, foram surpreendidos por um quadro apavorante. Rasputin, coberto de sangue, dirigia-se vacilante para a porta de saída. No momento, ninguém teve a coragem de impedi-lo, mas depois foi alcançado ainda no jardim e novamente alvejado por numerosos disparos.
Seu corpo, então, foi lançado no rio Neva.
Dois dias depois, ao cadáver de Rasputin reapareceu à superfície do rio, com as mãos e os pés amarrados, tendo a perícia policial registrado que “Grigori Lefimovitch vulgo Rasputin, havia sido jogado no rio ainda vivo”.
A última página da vida desse personagem enigmático e, sob alguns aspectos, excepcional veio para alguns confirmar seus dons sobrenaturais.  Para outros, foi certamente a grande resistência física de Rasputin a responsável por esses fatos.
Você quer saber mais?

BASCHERA, Renzo. Os Grandes Profetas. São Paulo, Ed. Nova Cultural Ltda,  1985.





O Período Inter-Bíblico.


De Malaquias a Mateus, encontramos um silêncio divino de quatro séculos. Nesse período, chamado  “Inter-Bíblico”,  por se localizar entre os dois Testamentos, Deus esteve preparando o mundo para o nascimento do Seu filho, para o advento do Cristianismo.
Deus preparou o mundo em vários aspectos para a vinda de Jesus; cada povo, no seu tempo, pela providência divina, criou as condições da sociedade em que o cristianismo apareceu realizando as suas primeiras conquistas.
Os babilônicos  levaram o povo de Deus para o cativeiro e deram-lhe lições jamais esquecidas. Os persas fizeram-lhe retornar à Jerusalém,  edificando o templo e restaurando o ensino da lei. Os gregos influenciaram intelectualmente o mundo, contribuindo ainda com um idioma universal, o “Koinê”. Os romanos contribuíram com a paz universal e o intercâmbio entre os povos unificados sob seu domínio.  Os judeus contribuíram com a preservação do Antigo Testamento e a esperança messiânica que inocularam nos países por onde andaram, principalmente depois do cativeiro.
Deus, nesses 400 anos não falou por meio de profetas nem pela palavra escrita (nenhum livro inspirado apareceu nesse período), mas podemos dizer que com Sua mão poderosa, dirigiu os povos preparando o mundo para o nascimento de Jesus Cristo.
Relato --- Descrito profeticamente em Daniel 11 à 12.2.
Duração --- De 430 a 5 aC (425 anos) --- De Malaquias ao advento.
Local --- Palestina.
Fatos importantes:
Para facilitar o estudo, dividiremos o período inter-bíblico nos nos  seguintes assuntos:
--- O período Medo-Persa
--- O período Greco-Macedônio
--- O período Romano
--- A literatura apócrifa
O período Medo-Persa: Após Neemias e Malaquias, a Palestina continuou sob os persas por mais quase 100 anos, até 330, quando a Grécia venceu a Pérsia. O centro do império Persa ficava onde hoje é o Irã. Suas capitais foram Babilônia e depois Susa, construída por Cambises ( Neemias 1.1; Ester 1.1; Daniel 8.2). Embora em cativeiro, o povo de Deus obteve os seguintes sucessos:
--- Influência espiritual dobre Nabucodonosor e os  babilônios.
---Idolatria destruída.
--- A lei de Moíses respeitada.
---Inauguração do culto público.
---Reverdecimento da esperança messiânica.
---Nacionalismo pronunciado.
No período interbíblico, os persas só dominaram no mundo por cerca de 100 anos. Em 330, Dario Condomano (Dario III) foi derrotado por Alexandre “O Grande” da Grécia na famosa batalha de Arbela. Não confundir esse Dario com o Dario II ( Nothus) de Neemias 12.22. O “Jadua” aí, também não é o mesmo sumo-sacerdote que recebeu Alexandre em Jerusalém, conforme descrição de Josefo em “Antiguidades”.
O período Greco-Macedônio
Busto de Alexandre o Grande Imperador da Macedônia (356-323 a.C.).
Alexandre “O Grande”, 336 aC, com a idade de 20 anos assumiu o comando do exército grego e, à maneira de meteoro, investiu para o oriente, sobre as terras que estiveram sob o domínio do Egito, Assíria, Babilônia e Pérsia. Em 331 aC, o mundo inteiro jazia aos seus pés. Invadindo a Palestina em 332 aC, mostrou muita consideração pelos judeus, poupando Jerusalém e oferecendo-lhes imunidades para se estabelecerem em Alexandria. Esse período durou de 331 a 167 aC.
Em 323 Alexandre “O Grande” morre na Babilônia aos 33 anos de idade. Após sua morte, seu império foi dividido entre quatro dos seus famosos generais, da seguinte maneira:
Seleuco I, Nicator --- Ficou com a Síria, Ásia Menor e Babilônia. Capital, Antioquia da Síria.
Ptolomeu I, Sóter I, Ptolomeu Lagos --- Aparece na História com esses nomes. Ficou com o Egito, capital Alexandria.
Cassandro --- Ficou com a Macedônia e Grécia. Capitais Pella e Atenas.
Lisímaco --- Ficou com a Trácia, atual Romênia.
Durante a época dos Ptolomeus e Selêucidas, a língua grega foi implantada na Palestina. O poder civil passou a ser exercido pelo sumo-sacerdote, que exercia também o religioso. A divisão política da Palestina contava com 5 províncias ou distritos: Judéia, Samaria, Galileia, Traconites e Peréia. Nessa fase surgiram as seguintes seitas religiosas:
Os fariseus: (heb. “separados”). Inicialmente primavam pela pureza religiosa, depois tornaram-se secos, ritualistas e hipócritas. Eram nacionalistas.
Os saduceus: (heb. “justos”). Eram os aristocratas da época. Eram adeptos do que chamamos hoje racionalismo. Confira Atos 5.17; 23.8. Eram Helenistas (partidários dos gregos).
Os essênios: Uma ordem monástica que praticava o ascetismo. A raiz que deriva a palavra “essênio significa “piedoso”.
Antioco Epifânio
Antíoco, o Grande, reconquistou a Palestina em 198 aC, que voltou para os reis da Síria, chamados “Selêucidas”. De 175-163 aC, foi violentamente rancoroso com os judeus; fez um esforço titânico e decidiu por exterminá-los e à sua religião. Devastou Jerusalém, em 168 aC; profanou o templo, em cujo altar ofereceu um porco; erigiu um alta à Júpiter; proibiu o culto no templo; impediu circuncisão sob pena de morte; destruiu todas as cópias das Escrituras que foram encontradas, matando a todos quantos foram achados de posse das mesmas; vendeu milhares de famílias judias para o cativeiro e recorreu a toda espécie imaginável de tortura para forçar os judeus a renunciar sua religião. Isso deu ocasião à revolta dos Macabeus, uma das mais heróicas façanhas da história.
O Perído Macabeu ou Hasmoneano. 
Matatias, sacerdote, de intenso patriotismo e imensa coragem, furioso com a tentativa de Antíoco Epifânio, reuniu um bando de leais compatriotas e desfraldou a bandeira da revolta. Tinha cinco filhos heróis e guerreiros: Judas, Jônatas ,Simão, João e Eleazar. Matatias faleceu em 166 aC. Seu manto caiu sobre seu filho Judas, guerreiro de admirável gênio militar. Ganhou batalha após batalha em condições de inferioridade incríveis e impossíveis. Reconquistou Jerusalém em 165 aC, purificou e reedificou o Templo. Foi esta a origem da Festa da Dedicação (João 10.22-23). Judas uniu em si a autoridade sacerdotal e civil e assim estabeleceu a linguagem dos sacerdotes-governadores Hasmoneanos, que pelos seguintes 100 anos governaram uma Judéia independente. Foram eles:
Matatias – 167-166 aC.
Judas – 166- 161 aC.
Jônatas – 161- 143 aC.
Simão – 143- 135 aC.
João Hircano I – 135-104 (filho de Jônatas).
Aristóbulo e filhos – 104-63 (indignos do nome do Macabeus).
Um período que iniciou por causa da crueldade, termina com a crueldade dentro do próprio povo. Aristóbulo, filho de João Hircano, entre outras coisas, mandou prender sua genitora, à qual Hircano teria deixado o reino, conservando-a presa até morrer de forme no cárcere, Seu reinado foi curto (morreu em 105 aC) e seus filhos tão cruéis quanto ele. Não merecem serem chamados descendentes de Hasmon.
O Período Romano: No ano de 63 aC, a Palestina foi conquistada pelos romanos sob as ordens de Pompeu. Anipator, edomita (descendente de Esaú) foi designado governador da Judéia. Sucedeu-lhe seu filho Herodes, o Grande, que foi rei da Judéia, 37-4 aC, data na qual Jesus já era nascido. Para obter o favor dos judeus, Herodes o Grande derrubou o velho templo depois de ter preparado o material para construção do novo, que edificou, talvez com maior magnificência do que o de Salomão. Este é conhecido como o templo de Herodes e o que existia quando Jesus esteve na terra.
A Literatura Apócrifa
Chamamos de Apócrifos (ocultos sem autenticidade), os escritos produzidos no Período Interbíblico. No silêncio da voz divina, multiplicaram-se as palavras humanas. Outros escritos espúrios relacionados com o AT ou NT são chamados Pseudo-epigráficos, ex.: Enoque, Os 12 Patriarcas, Moisés, Apocalipse de Paulo, etc.
A denominação “apócrifos” se dá comumente ao 14 escritos contidos em algumas Bíblias entre os dois Testamentos e na Bíblia de edição Romana, misturados entre os livros do AT.
Informações sobre os 14 apócrifos
Foram escritos depois de haver cessado a inspiração divina.
Os judeus nunca os reconheceram como Escrituras Hebraicas.
A Igreja primitiva nunca os reconheceu.
Foram inseridos na Bíbia quando se fez a tradução para o grego chamada Septuaginta.
Da septuaginta os apócrifos foram levados para a tradução latina e daí para a Vulgata Latina.
Jerônimo, o tradutor da “Vulgata” não concordou em inseri-los na sua tradução; o fez obrigado.
A Igreja Romana, em 18 de abril de 1546, para combater os protestantes, declarou “canônicos” 11 (Os livros de: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, I Macabeus, II Macabeus. Os acréscimos em Ester 10.4 a 16.24, Cântico dos três santos filhos em Daniel 3.23 a 90, História de Suzana em Daniel cap. 13, Bel e o Dragão em Daniel cap. 14) dos 14 apócrifos .
Cabral.J. Introdução Bíblica, Rio de Janeiro: Universal Produções, 1986



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

As Testemunhas de Jeová no município de Canoas/RS, 1965 até 2015.

 Joseane L. da Silva
2- JUSTIFICATIVA                      
Este trabalho têm importância social, pois o mesmo mostrará o impacto na sociedade de Canoas da chegada do primeiro Salão do Reino das Testemunhas de Jeová, em 1965. Mostrará na sociedade canoense as atividades de pregação e evangelismo dos mesmos. Além da atividade de construção dos Salões do Reino, que são realizadas pelos próprios membros das congregações. As realizações dos primeiros congressos no município de Canoas, que foi um marco para essa geração de Testemunhas de Jeová que chegaram ao município. 

Já há trabalhos acadêmicos que tratem da presença em Canoas das religiões Católica, Luterana, e da Igreja dos Santos dos Últimos Dias. Como se vê, não há trabalhos que estudem o crescimento da religião Testemunhas de Jeová no município de Canoas, mesmo sendo uma religião tão polêmica, com características tão peculiares como o não envolvimento com questões políticas, a não transfusão de sangue e o não alistamento com nas forças armadas. Esse estudo é possível, através de leituras em fontes bibliográficas, arquivos da instituição, pesquisas em jornais e revistas da época da sua fundação até o momento, e possíveis entrevistas com membros da instituição como irmãos, anciões e publicadores. Ainda que existam trabalhos sobre a religião Testemunhas de Jeová, nenhum deles aborda de forma mais específica o desenvolvimento e crescimento da religião no município de Canoas, assim como, a forma de pregação e doutrina que eles exercem, contribuindo com a diversidade religiosa do município.

A religião Testemunhas de Jeová me interessa bastante, por ser uma religião contemporânea que iniciou nos Estados Unidos por volta de 1880. De 230 países onde ela é praticada, o Brasil é o terceiro país em número de adoradores entre batizados e simpatizantes, perdendo somente para os Estados Unidos e México, ou seja, uma religião americana que tem se expandido muito no Brasil. Também me chama muito a atenção o método de pregação que eles exercem, assim como, a maneira de como são ministradas as reuniões (cultos) nos Salões do Reino.

3- OBJETIVOS

1- Identificar e analisar, por meio de leituras e pesquisas, o processo de instalação e crescimento da congregação Testemunhas de Jeová no município de Canoas.
2- Demonstrar a importância da expansão desta congregação para a ampliação da diversidade religiosa no município de Canoas.
3- Identificar quais os grupos sociais fundadores das Testemunhas de Jeová, suas etnias e religiões anteriores.
4- Identificar na oralidade dos depoentes as características dos nascidos Testemunhas de Jeová; aos convertidos a essa religião, assim, como suas diferenças.

4- QUADRO TEÓRICO

As Testemunhas de Jeová é um movimento de adoradores de Jeová Deus que surgiu em 1874, na Pensilvânia EUA. Inicialmente eram um grupo pequeno de estudo bíblico, o qual foi crescendo rapidamente. Por volta de 1880, já haviam formado inúmeras congregações nos estados vizinhos. As Testemunhas de Jeová são fundamentalistas, pois não praticam a transfusão de sangue, não saúdam a bandeira, não prestam serviço militar e não festejam datas históricas e aniversários, pois segundo eles, tudo isso é idolatria e desagrada a Jeová Deus. As Testemunhas de Jeová fundamentam todos os seus ensinos nos versículos bíblicos.

A formação de seus líderes se dá pelo conhecimento bíblico. Todos se reconhecem como servos de Jeová, não estabelecendo hierarquias e, ao contrário das igrejas cristãs, não aceitam a trindade e negam a obra redentora de cristo. Afirmam que Jesus voltou ao mundo em espírito em 1874, quando iniciou o movimento das Testemunhas de Jeová. A grande maioria dos adeptos desse movimento costuma participar na difusão de sua fé, batendo de porta em porta nas casas, fazendo circular a Bíblia e suas revistas A Sentinela e a Despertai, as quais explicam quem são, o que fazem e como vivem as Testemunhas de Jeová.

5- FONTES ORAIS

Para o desenvolvimento deste trabalho são utilizados como afirma Meihy.et, all:  Fonte oral é o registro de qualquer recurso que guarda vestígios de manifestações da oralidade humana. Entrevistas esporádicas feitas sem propósito explícito, gravações de músicas, absolutamente tudo que é gravado e preservado se constitui em documento oral. Entrevista, porém, e história em sentido estrito.

O ponto de partida das entrevistas em história oral implica aceitar que os procedimentos são no presente, como gravações, e envolvem expressões orais emitidas com intenção de articular ideias orientadas a registrar ou explicar aspectos de interesses planejados em projetos. Entrevista em história oral é a manifestação do que se convencionou chamar de documentação oral, ou seja, suporte material derivado de linguagem verbal expressa para esse fim. A documentação oral quando aprendida por meio de gravações eletrônicas feitas com o propósito de registro torna-se fonte oral. A história oral é uma parte do conjunto de fontes e sua manifestação mais conhecida é a entrevista. Como procedimento específico, a entrevista em história oral é uma fórmula programada e responde à existência de projetos que a justificam. Convém lembrar que a palavra dita e gravada não existe como fenômeno ou ação isolada. Muito do que é verbalizado ou integrado à oralidade, como gesto, lágrima, riso, silêncios, pausas, interjeições ou mesmo as expressões faciais, que na maioria das vezes não tem registros verbais garantidos em gravações: podem integrar os discursos que devem ser trabalhados para dar dimensão física ao que foi expresso em uma entrevista de história oral. A consideração da entrevista além do que é registrado em palavras é um dos desafios obrigatórios da história oral.

A história oral como nos diz Heiry, é um conjunto de procedimentos que se inicia com a elaboração, crescimento e desenvolvimento de um grupo de pessoas a serem entrevistadas. Um projeto de história oral prevê planejamento das gravações com data, local, tempo da entrevista; tudo devidamente pré-definido. Também é fundamental a transcrição e estabelecimentos de textos; autorização para o uso; arquivamento e, sempre que possível, a publicação dos resultados que devem, em primeiro lugar, voltar ao grupo que gerou as entrevistas.

O compromisso com a “devolução” dos resultados do projeto é condição básica para se justificar um projeto de história oral. A condição “para quem” deve ficar explicada, pois os projetos que se valem de entrevistas cumprem sempre um papel social. Seja para instruir teses, dissertações, compor acervos ou funcionar como alerta temático, os textos estabelecidos, em primeiro lugar, devem ser devolvidos aos protagonistas geradores e, conforme o caso, à comunidade que os provocou. Contudo para realizar um projeto de história oral fiel aos seus propósitos, não se deve realizá-lo por vias indiretas, ou seja, por telefone ou por internet, por exemplo. O contato direto de pessoa a pessoa, interfere de maneira absoluta nas formas de exposição das narrações. Por outro lado, a ausência de interlocução pessoal faz com que sejam menos espontâneas as declarações e, pior do que isso, demandam variações narrativas que seriam diferentes. A história oral como prática complexa e que integra diferentes etapas é sempre um sistema articulado onde cada parte ou lance interfere e determina outro.

Outro fator muito importante na elaboração de projeto de história oral é o uso das tecnologias, uma das características mais evidentes da história oral remete à constante atualização dos meios eletrônicos. A obrigatoriedade da participação da eletrônica na história oral determina uma alteração nos antigos procedimentos de captação de entrevistas, antes feitos na base de anotações ou da memorização. A mediação da eletrônica é, aliás, uma das marcas da história oral como um procedimento novo renovável. O que deve ficar firmado, porém, é que a história oral não se faz sem a participação humana direta, sem o contato pessoal. Mesmo não sendo possível dissociar a eletrônica dos contatos diretos para a produção da história oral, sabe-se que nada substitui a percepção do entrevistado no ambiente da gravação. A performance, ou seja, o desempenho é essencial para se entender o sentido do encontro gravado. Olhos nos olhos, perceber as vacilações ou o teor emotivo das palavras, notar o conjunto de fatores reunidos na situação da entrevista é algo mais do que a capacidade de registro pelas máquinas, que se limitam a guardar vozes, sons gerais, e imagens. A percepção das emoções é bem mais complexa do que aparenta, e sua captação se dá apenas pela presença física de pessoas. Contudo é preciso tomar alguns cuidados técnicos e organizacionais antes das gravações como: as boas condições dos aparelhos a serem usados e a gravação da matrícula da entrevista que deve ser feita no começo do encontro, definindo: local e data, nome do projeto, nome do colaborador a ser entrevistado; presença eventual de outras pessoas com seus nomes; esses e outros tantos dados que podem aparecer no projeto dependendo do tema, circunstâncias e número de pessoas a serem entrevistadas.

A necessidade de se ativar ou materializar o que existe em estado oral retido na memória, ou mesmo o que foi abafado por processos de cerceamento, quase sempre acontece por desafios da própria comunidade, que não quer deixar morrer determinadas experiências e que, para isso, produz situações nas quais, no tempo presente, reinventam o passado não resolvido. Nesse sentido, a história oral se mostra fator significativo, meio de manter a experiência passada em estado de “presentificação”. Mas deve-se lembrar sempre que não é apenas quando não existem documentos necessários que a história oral acontece. Ela é vital também para produzir outras versões promovidas à luz de documentos cartoriais consagrados e oficiais. Lembrando que os documentos compulsados rotineiramente também produzem memória, torna-se importante, sempre, manter acesa a curiosidade paralela que mantém dúvidas sobre certeza das conclusões feitas em cima de documentos escritos. Em história oral, o “grupal”, “social ou coletivo” não corresponde à soma dos particulares. O que garante unidade e coerência às entrevistas enfeixadas em um mesmo conjunto é a repetição de certos fatores que, por fim, caracteriza a memória coletiva. A observância em relação à pessoa em sua unidade, contudo, é condição básica para se formular o respeito à experiência individual que justifica o trabalho com entrevista, mas vale no conjunto. Nesse sentido a história oral é sempre social. Social, sobretudo porque o indivíduo só se explica na vida comunitária. Daí a necessidade de definição dos ajustes identitários culturais.

A história oral temática é a solução que mais se aproxima das expectativas acadêmicas que confundem história oral com documentação convencional. Também é a mais passível de confrontos que regulam a partir de datas, fatos, nomes e situações. Eu optei pela história oral temática porque percebi que quando entrevistamos pessoas e as indagamos sobre determinado tema, aprendemos e enxergamos outros aspectos e fatores sobre o tema em questão. Aspectos esses, que não são se quer citados ou mencionados em livros e documentos históricos; ou seja, aumentando a minha percepção e conhecimento enquanto acadêmica sobre temáticas, fazendo com que eu adquira um olhar mais cauteloso e observador sobre a comunidade e/ou grupo a ser entrevistado.

            Quase sempre, a história oral temática equivale a formulação de documentos que se opõem às situações estabelecidas. Assim, por natureza, a história oral temática é sempre de caráter social e nela as entrevistas não se sustentam sozinhas ou em verões únicas. Decorrência natural de sua existência, a história oral temática pura deve promover debates com redes capazes de nutrir opiniões diversas. Em geral, a história oral temática é usada como metodologia ou técnica e, dado, o foco temático precisado no projeto, torna-se um meio de busca de esclarecimentos de situações conflitantes, polêmicas, contraditórias. Dado seu caráter específico, a história oral temática tem características bem diferentes da história oral de vida. Detalhes da história pessoal do narrador apenas interessam na medida em que revela aspectos úteis à informação temática central. Neste contexto o teor testemunhal, se torna a chave que abre os compartimentos escurecidos por versões que devem ser resolvidas pelo narrador, o qual deverá ter preparo e organização para tal.

            A memória, como propriedade de conservar certas informações, nos leva a refletir sobre fatos e acontecimentos do nosso passado, remetendo-nos, em primeiro lugar, a analisar e reconstruir determinadas opiniões e certezas, tanto da nossa vida pessoal, como na construção da história das sociedades. A noção de aprendizagem, importante na fase de aquisição da memória, desperta o interesse pelos diversos sistemas de educação da memória que existiram nas várias sociedades e em diferentes épocas. Assim, Pierre Janet “considera que o ato mnemônico fundamental é o comportamento narrativo”, que se caracteriza antes de mais pela função social, pois se trata de comunicação a outrem de uma informação, na ausência do acontecimento ou do objeto que constitui o seu motivo. A utilização de uma linguagem falada, depois escrita, é de fato uma extensão fundamental das possibilidades de armazenamento da nossa memória que, graças a isso, pode sair dos limites físicos do nosso corpo para se interpor quer nos outros, quer nas bibliotecas. Isto significa que, antes de ser falada ou escrita existe uma certa linguagem sob a forma de armazenamento de informações na nossa memória. Do mesmo modo, a memória coletiva foi posta em jogo de forma importante na luta das forças sociais pelo poder. Tornar-se senhores da memória e do esquecimento é uma das grandes preocupações das classes, dos grupos, dos indivíduos que dominaram e dominam as sociedades históricas. Os esquecimentos e os silêncios da história são reveladores destes mecanismos de manipulação da memória coletiva.

O estudo da memória social é um dos meios fundamentais de abordar os problemas do tempo e da história, relativamente os quais a memória está ora em retraimento, ora em transbordamento. No estudo histórico da memória histórica é necessário dar uma importância especial às diferenças entre sociedades de memória essencialmente oral e sociedades de memória essencialmente escritas, como também às fases de transição da oralidade.

6- PROCEDIMENTOS METODOLOGICOS

A metodologia dessa pesquisa trata-se de identificar e analisar as memórias e olhares de indivíduos que fizeram parte da instalação e chegada das Congregações das Testemunhas de Jeová no município de Canoas a partir de 1965. Usando como fonte base para a pesquisa relatos orais de pessoas que participaram da disseminação dessa religião no município, assim como as dificuldades e desafios que esta mesma teve para adquirir espaço nas comunidades locais, buscando trazer a tona lembranças quase esquecidas com o tempo. Analisar as narrativas dos entrevistados sob a luz das discussões teóricas apresentadas anteriormente.

Os entrevistados que escolhi são pessoas comuns de distintas profissões, etnias e classes sociais, que propagam sua fé com muita serenidade e perseverança. Decidi fazer o meu projeto de história oral sobre eles porque eu já venho observando-os há algum tempo, e percebi que eles sofrem um certo tipo de discriminação dos membros de outras religiões, até mesmo, por terem características tão peculiares como a não transfusão de sangue e o não envolvimento com as forças armadas. Achei que fosse o momento de dar-lhes a oportunidade de falarem sobre sua fé, crença e propósito de vida, contribuindo assim com o meu conhecimento acadêmico sobre diversidade religiosa.

O depoente nº1, de 68 anos, é um senhor aposentado, branco, ex-funcionário de fábrica, ex-católico e pertencente a classe média; hoje ancião em uma das Congregações das Testemunhas de Jeová no município de Canoas.

A depoente nº2, de 48 anos, professora das séries iniciais do Ensino Fundamental, negra, ex-catequista e pobre.

O depoente nº3, de 54 anos, gerente de uma microempresa de cunho comercial, branco, ex-membro de uma outra religião. Todos os meus três depoentes são batizados há mais de 20 anos.


Para a reconstrução dessa memória da chegada das Testemunhas de Jeová no município de Canoas, segue abaixo o questionário elaborado e conversado com três entrevistados que fizeram e fazem da propagação dessa religião.

REFERÊNCIAS

Fontes Primárias
Documentos Históricos
Arquivos da instituição
Documentos Históricos do período como jornais, revistas, brochuras e panfletos.
Relatos orais de pessoas que fizeram parte da instalação e construção das primeiras congregações das Testemunhas de Jeová no município de Canoas.
Fontes Secundárias.
ELIADE, Mircea. História das crenças religiosas. Tomo III. Rio de Janeiro, Zahar, 1984.
LE GOFF, Jacques. História e Memória, SP: Editora da UNICAMP, 1992.
MEIHY, José Carlos Sebe B. HOLANDA, Fabíola. História oral: como fazer, como pensar/ José Carlos Sebe Bom Meihy, Fabíola Holanda.- São Paulo: Contexto, 2007.
Testemunhas de Jeová: Proclamadores do Reino de Deus. São Paulo: STVBT, 

Rituais da Ação Integralista Brasileira: Funeral.


Em relação aos falecimentos, é interessante destacar o caráter de perpetuidade e de imortalidade que se a imprimir à militância e ao Movimento.  O integralista era eterno. Isto, é o integralista não morria, era transferido para a milícia do além.
Por ocasião do processo de transferência para a milícia do além, deveria ser obedecido o seguinte ritual:
O caixão deveria ser coberto por uma Bandeira Integralista, podendo, em alguns casos, de acordo com a situação oficial do morto, levar a ainda a Bandeira Nacional. A câmara ardente deveria ser velada por uma guarda de “Camisas-verdes”.
O integralista ao entrar na câmara onde estava sendo velado o companheiro morto, deveria perfilar-se erguer o braço durante dez segundos.
O Chefe Nacional, quando não pudesse comparecer ao sepultamento, seria representado pelo Chefe Provincial ou pelo Chefe do Núcleo a que pertencia o morto.
Segundo seu critério, o Chefe Nacional poderia decretar luto nas fileiras do Sigma por um ou mais dias. Neste período não poderia ser realizada nenhuma reunião de caráter festivo. O sinal de luto, na camisa-verde, seria uma fita de crepe negra cobrindo o Sigma do braço.
O acompanhamento do enterro deveria ser feito pelos integralistas uniformizados e, no cemitério, deveriam proceder à chamada do morto da seguinte maneira:

Os integralistas formarão, alinhados e em silêncio, junto à sepultura, onde já estará colocado o caixão, e a autoridade presente de maior graduação (...) dirá: “Integralistas. Vai baixar a sepultura o corpo do nosso companheiro (nome do falecido), transferido para a milícia do além.” Fará um rápido panegírico do morto, findo o que dirá: Vou fazer a sua chamada; antes porém, peço um minuto de concentração em homenagem ao companheiro falecido.

Ao término desse tempo, deveria dizer: “Companheiro (nome do falecido). Todos os integralistas responderão Presente. No integralismo ninguém morre. Quem entrou neste Movimento imortalizou-se no coração dos camisas-verdes. Ao companheiro (nome do falecido) três Anauês. Todos responderão: Anauê, Anauê, Anauê.”

Nas sedes dos Núcleos ou nos lugares de reunião, a autoridade que estivesse presidindo à sessão deveria proceder à chamada do morto, obedecendo ao mesmo ritual descrito acima.

Cavalari, Rosa Maria Feiteiro. Integralismo: ideologia e organização de um partido de massa no Brasil (1932-1937), Bauru, SP: Edusp, 1999.

Protocolos e Rituais, capítulo X, artigo 157-162. In: Enciclopédia do Integralismo, vol. XI.




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

YAACOV ISRAEL BLUMENFELD


“A alma por ser proveniente do Divino, ela é perfeita, completa e íntegra , não se sujeitando às limitações apresentadas por tudo aquilo que é material e, portanto, imperfeito.”
“Há pessoas que cumprem seus deveres sociais e se comportam de maneira a sempre colaborar com os semelhantes, mas no íntimo não sentem vontade de fazê-lo.”
“Do mesmo modo que engana as outras pessoas também será enganado.”
“O corpo recebe a alma, e ao mesmo tempo revela a capacidade dessa alma. A alma não tem os limites do corpo, é o corpo que limita as atividades do homem.”
“No fundo do coração, todos os homens tem consciência de que um dia terão de prestar contas aso Divino. Mesmo o ateu, o mau, o materialista, mesmo aquele que diz em nada acreditar possui no mais intimo de seu ser essa consciência.”
“O homem é um pequeno universo. Tudo o que existe no universo tem seu equivalente no homem e no Céu, nos planos mais elevados.”
“Em qualquer situação, o homem deve enfrentar os problemas, ir adiante com otimismo, e não lamentar e fugir deles.”
“Quando fala, pensa e age, o homem superior visa ao cumprimento, à concretização e a permanência de uma atividade.”
“Há dois níveis de esforços. O primeiro é o labor físico, que consiste em controlar o instinto animal, forçando o corpo ao desprezo em relação as coisas mundanas e superficiais. Numa etapa posterior, o esforço mental força o intelecto ao gosto pelas coisas intelectuais, espirituais.”
“Quando se quer perceber a luz e a verdade, também é preciso remover, com muito esforço, falsidade e a escuridão.”

“Quando monta um objeto, o homem está apenas modificando a forma da matéria, e não criando alguma coisa de novo. Em seguida o homem e o objeto se separam, e o invento existe por si mesmo independente do homem. Porém, com o Divino e o universo não acontece o mesmo. Tendo criado o universo a partir do nada o Todo Poderoso não se afasta dele. Ao contrário, se assim fosse, o universo deixaria de existir.”
“Quando se precisa resolver um problema, deve-se atentar para a vontade Divina: o interesse pessoal deve ser deixado de lado.”
______________________________________________________________
“Os humanos foram os últimos seres criados pelo Onipotente. Por quê? Quando se conduz com base nas Escrituras, ele é considerado superior às outras criaturas. Quando se comporta de forma adversa, pode-se lembra-lo de que até um verme foi criado antes dele.”
“A cada manhã, quando o Divino vê os homens acordarem e correrem com entusiasmo para seus afazeres pessoais, egoístas e envoltos nas trevas do espírito, fica tão irritado que chega a pensar em destruir o universo.”
“Por que o Divino não pode ser alcançado apenas pelo intelecto? O intelecto tem limites: por mais desenvolvido que seja, sempre se deparará com algo inacessível, à compreensão. O todo poderoso sendo ilimitado, não está portanto dentro da esfera do intelecto.”




Perguntas frequentes sobre o zoroastrismo e o Avesta



O QUE É O ZOROASTRISMO?

Uma breve visão geral

Zoroastrismo é uma religião fundada nos tempos antigos pelo profeta Zaratustra, conhecida pelos gregos como Zoroastro.

Zoroastrismo era a religião dominante no mundo durante os impérios persa (559 aC a 651 AC), e foi, assim, a mais poderosa religião do mundo na época de Jesus. Ele teve uma grande influência sobre outras religiões. Ele ainda é praticada em todo o mundo, especialmente no Irã e na Índia.

Para citar Mary Boyce,

"O profeta Zaratustra, filho de Pourushaspa, da família Spitaman, nos é conhecido principalmente a partir dos Gathas , dezessete grandes hinos que compôs e que foram fielmente preservados por sua comunidade. Estas não são obras de instrução, mas inspirado, apaixonado enunciados, muitas delas dirigidas diretamente a Deus, e sua forma poética é muito antigo, que foi rastreada (através de paralelos Norse) aos tempos indo-européia Parece ter sido associada com uma tradição mântica, isto é,. ter sido cultivado por videntes sacerdotais que procuraram expressar em palavras sublimes sua apreensão pessoal do divino, e é marcada por sutilezas de alusão, e de grande riqueza e complexidade do estilo tal poesia só pode ter sido plenamente compreendido por aqueles que aprendem.; e desde Zoroastro acreditava que ele tinha sido confiada por Deus com uma mensagem para toda a humanidade, ele também deve ter pregado uma e outra vez em palavras simples para as pessoas comuns. Seus ensinamentos foram transmitidos oralmente de sua comunidade, de geração em geração, e estavam em passado a escrito sob os sassânidas, governantes do terceiro império iraniano. A língua então falada era persa médio, também chamado de Pahlavi; e os livros Pahlavi fornecer as chaves de valor inestimável para interpretar as obscuridades magníficas do Gathas-se. "- zoroastristas, suas crenças religiosas e práticas , Londres, 1979, pg 17.

Alguns dos principais dogmas do Zoroastrismo incluem:

Deus: Ahura Mazda

O Ser Supremo é chamado de Ahura Mazda (Filipenses. Ohrmazd), que significa "Senhor Sábio". Ahura Mazda é tudo de bom, e criou o mundo e todas as coisas boas, inclusive pessoas. Ele se opõe Anghra Mainyu (Filipenses. Ahriman) , que significa "espírito destruidor", a personificação do mal e criador de todas as coisas más. A batalha cósmica entre o bem eo mal acabará por levar à destruição de todo o mal.

Profeta: Zaratustra

A religião foi fundada por Zaratustra. Sua data é incerta, mas é provavelmente algo em torno de 1200 aC. Ele viveu e pregou nas estepes asiáticas Interiores. Zaratustra recebeu suas revelações diretamente de Ahura Mazda, e de seu Arcanjos (Amesha Spentas).

Escritura: Avesta

A escritura central é o Avesta . As seções mais sagrados do Avesta são os Gathas ou hinos de Zaratustra; eles também são os mais enigmático. Literatura sagrada posterior inclui os textos Pahlavi , que contêm extensas citações e paráfrases de textos Avesta perdidos.

Credo:

O credo está resumido na Yasna 12. É provável que tenha sido composta por Zaratustra si mesmo, e têm sido usados ​​como uma confissão de fé dos primeiros conversos (cf. Boyce, Zoroastrismo, sua antigüidade e Constant Vigor , p. 102-4 ).

Observâncias

Duas vestes sagradas, o sudreh (camisa) e kusti (medula) são os emblemas da religião. Zoroastristas realizar um ritual de purificação curto (Padyab), e reatar as várias vezes Kusti um dia com outro ritual curto (Nirang-i Kusti) como um sinal de sua fé. Outras orações são recitadas diariamente do Khorda Avesta . A oração é feito em grande parte na língua avéstico. Os fiéis devem também participar de festivais sazonais comuns ("Gahambars") durante o ano.

Fogo e "Asha"
Fogo, como um símbolo de "Asha" e "luz original de Deus", ocupa um lugar especial de estima na religião. A oração é muitas vezes feito na frente de um fogo e incêndios consagradas são mantidos perpetuamente queima nos principais templos.

Quantos zoroastristas existem atualmente?

Eu acredito que a última figura que vi foi em torno de 140.000. As maiores populações estão na Índia e Irã. Livreto J Hinnells ' zoroastrismo e os parses (p.8) tem 17 mil no Irã e 92.000 na Índia. Norte-americanos zoroastristas são relatados para ser em torno de 5.000.

Que escrituras são sagradas para o zoroastrismo?

A mais antiga escritura de Zoroastro é o Avesta. É cerca de mil páginas. Algumas partes, incluindo os Gathas , estão em um dialeto mais antigo chamado 'Old avéstico' ou 'Gathic avéstico'. As principais divisões sobreviventes são:

Yasna

Sagrada Liturgia e Gathas / Hinos de Zaratustra

Khorda Avesta

(Livro de Oração Comum), incluindo Yashts (hinos aos seres sagrados), Niyayeshes (ladainhas ao sol, Mitra, Água, Fogo, ea Lua), Gahs (Orações para os cinco períodos do dia), Afrinagans (cerimônias de bênção), e outras orações.

Visperad

Extensões para a Liturgia

Vendidad

Principalmente as leis de pureza, mitos e alguns textos médicos

Fragmentos

O original Avesta canon composto por vinte e dois livros, (litúrgicas, históricas, médicas, legais). A sua existência no século EC 9 é bem documentada. Desde então, a maior parte dos textos não-litúrgicas foram perdidos.

Além do Avesta, zoroastristas têm inúmeras escrituras do período sassânida, que estão escritas em um dialeto meio-persa chamado Pahlavi. Muitos são os comentários exegéticos (chamados Zand), que se traduzem, resumir e explicar o Avesta. Os textos Pahlavi também preservar grandes resumos e traduções de textos Avestan perdidos. Eles são considerados de menor autoridade do que o Avesta.

Quando Zaratustra viveu?

De acordo com Bruce Lincoln,

"No momento, a opinião da maioria dos estudiosos, provavelmente, se inclina em direção ao final do segundo milênio, ou o início do primeiro, embora ainda existam aqueles que possuem uma data no século VII para." ( Morte, Guerra, e Sacrifice , 1991, pg 150)
Humbach e Ichaporia parecem favorecer a data Xanthos de 1080 aC, mas mencionar a data 630 também. ( Heritage , 1994, pg 11).

A data comumente dado é o sétimo século AEC, eu acho que Boyce tem demonstrado convincentemente o sétimo século data a ser um erro. Humbach também desconta a base deste cálculo em seu Gathas 1991 (pg 30). Boyce vacilou em uma data real: entre 1400 e 1000 aC (1975), entre 1700 e 1500 (1979), por volta de 1400 aC (1988), entre 1500 aC e 1200 aC ", com este último mais provável" (1992).

O que é "Asha"?

Like 'Dao' no taoísmo, Asha é um conceito chave nos Gathas e toda a Escritura. Também como "Dao", é demasiado complexo para ser traduzível por um único termo. Prefiro deixá-lo sem tradução, mas dar uma definição em algum lugar. As traduções mais comuns: verdade, retidão, ordem mundial, lei eterna, fitness. Veja também a discussão em Dhalla, História do Zoroastrismo (1938, cap. 7).
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