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Está é uma página suplementar do blogue Construindo História Hoje (http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com.br), estando a mesma vincula de modo factual ao blogue original e tendo as mesmas prerrogativas. As postagens apresentadas aqui podem conter conteúdo que expanda o universo dos estudos históricos para outras áreas e podendo ir além com abordagens variadas tão quantas o conteúdo. Deste modo distingui-a do blogue original que possuí seu foco unicamente nos estudos históricos.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

O que diabos aconteceu com a GERAÇÃO Y?! Um texto sobre liberdade, responsabilidades e as misérias de uma geração que está se perdendo no meio do caminho.



Acredite, esse gordo manjava dos paranauês.


Veja como o nosso ambiente de trabalho é divertido. Te pagaremos mal e não respeitaremos a sua hora de almoço. Hora-extra? Nem pensar! Whatsapp depois do trabalho? Com certeza, afinal de contas, você ainda não tem filhos! Ah, mas te daremos kit kat e café expresso de graça!
O que diabos aconteceu com a GERAÇÃO Y?!
Um texto sobre liberdade, responsabilidades e as misérias de uma geração que está se perdendo no meio do caminho.
Na semana passada eu ouvi de um garoto, ainda na faculdade, o seguinte depoimento:
“Seu texto sobre a subserviência das empresas em relação ao cliente deveria ser pregado na porta de entrada de todas as empresas do país, nas salas de reuniões e ser repetido como mantra em palestras de empreendedorismo para todos os empresários do Brasil. As agências de publicidade, especificamente, estão atingindo um nível de servidão pior do que pastelaria.
Na pastelaria ninguém fica acelerando o pasteleiro. Ninguém manda e-mail para o pasteleiro mandando ele entregar o pastel na mesa dele até as 9h da manhã. Para o pasteleiro, quanto mais horas ele trabalhar, mais ele vai ganhar. Falar em hora extra em publicidade só vai fazer as pessoas rirem. Enfim, desculpa o desabafo”.
Somos uma geração de bobos que se acha esperta. Nossos pais davam duro, saiam de casa cedo, trabalhavam como doidos, indo e vindo do centro da cidade, em cartórios, lotéricas e visitas bancárias, muitas vezes em carros sem ar-condicionado, mas ganhavam bem o suficiente para sustentarem uma família com três filhos, carro, cachorro e ainda levavam todos para comerem churrasco aos domingos.
A geração de hoje se deixa enganar pela falsa sensação de divertimento, que nunca tem fim. Transformaram o ambiente de trabalho em um circo, para que você ouça: “Ei, mas aqui é divertido! Dane-se se não te pagamos horas-extra ou se te colocamos para trabalhar por toda a madrugada em troca de pizza. Aqui você pode trabalhar com boné!”.
Quando nossos pais estavam em casa, eles estavam em casa mesmo! Dane-se que o trabalho tinha sido duro, após as 18:00 eles sentavam naquele sofá da Mesbla, abriam a primeira Antártica da noite e era a hora do futebol. Qual foi a última vez que você esteve realmente desconectado do seu trabalho? Você tenta se convencer de que aquele Whatsapp do cliente às 00:00 não é nada demais, que é coisa pequena, que “pega mal” não responder. E aquele inbox no Facebook às 1:35 da manhã? “Ah, eu já estou aqui mesmo, né. Agora ele já viu que eu visualizei…”.
Provavelmente você caiu no mito do home-office libertador, que te faz perceber, anos depois, que ele só foi capaz de te “libertar” do horário comercial. “Ah, mas você trabalha em casa!” — pronto, é sinal de que receberá demandas ou mensagens a qualquer hora da madrugada.
Provavelmente você ainda não se ligou, mas você produz dezenas de vezes a mais do que o seu pai ou os seus tios conseguiam. Antes, para atender um cliente, você precisava ir na loja ou na casa dele, lá na puta que o pariu. Hoje? Skype. Antes, era FAX ou mandar documentos pelos correios. Hoje? E-mail. Antes, você estava limitado à sua cidade. Hoje? Internet, meu filho!
Entretanto, quanto é que você está ganhando? Acorde para a vida! Agências com mesa de sinuca, totó, chocolates à vontade, cafezinho expresso, pula-pula e vídeo-games significam apenas que você está pagando por tudo aquilo e que o seu salário, ao final do mês, sentirá a pancada.
“Tudo bem, porque eu amo o que eu faço!”.
Na semana retrasada eu ouvi isso. Estava contratando os serviços de uma START-UP de tecnologia para um dos meus negócios e havia esquecido de perguntar alguma coisa. Já eram 23:00 horas. Fui ao Skype, me certifiquei de que a menina do suporte estava OFFLINE e deixei uma mensagem. Poderia ter feito isso pelo Facebook, mas eu sabia que iria apitar lá na casa dela e não queria esse tipo de coisa, ainda mais naquele horário. Enfim, enviei a mensagem e deixei escrito: “Só me responda quando chegar ao escritório!”.
Faltando quinze minutos para uma da manhã, a menina me responde, pelo Facebook. Eu digo: “O que você está fazendo aqui? Te deixei uma mensagem no Skype! Vá dormir, namorar ou assistir aquelas séries no Netflix!” e ela me disse: “Ah, é que eu entrei no meu skype só para ver se estava tudo bem com os clientes. Vi a sua mensagem e retornei. Não custa nada, nem se preocupe. Eu amo o que faço. Rs”.
Eu amo o que faço…erre esse. À uma da manhã de terça feira. Com o teu chefe te pagando, provavelmente, entre dois mil e quinhentos a três mil reais para isso…e somos nós quem somos a geração dos “desapegados, que querem viver a vida”.
Estamos nos tornando uma geração de trintões cujas preocupações são os próximos shows do Artic Monkeys, a cerveja gourmet da moda e a próxima temporada de House of Cards. Uma geração sem filhos, que foge das responsabilidades, se iludindo com a ideia de que o seu chefe é seu amigo e que por isso você “quebra alguns galhos para ele”.
Ouvimos de todo tipo de especialista, que somos a geração livre por excelência, que preza pela mobilidade e pela qualidade no ambiente de trabalho, mas de alguma forma nós erramos o caminho e nos tornamos aquele tipo de gente que fica conversando com o cliente às 20:00 horas, enquanto janta com a mulher. E nos achamos o máximo, quando batemos o pé: “Ai, que saco, o meu chefe não me deixa em paz!”. Que corajoso!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Relatório sobre o filme Cromwell, o homem de ferro.




            O presente relatório tem por objetivo relacionar por meio de meus comentários minha percepção sobre as informações encontradas no filme “Cromwell, o homem de ferro” com o texto “A Revolução Inglesa” de José Jobson de Andrade Arruda.
            O filme inicia mostrando os eventos relacionados com as “Leis de cercamentos” (Enclosures) e o conflito entre camponeses e nobres devido a está politica real iniciada no século XVI e editada por sucessivos monarcas ingleses. Esse evento remete a reflexão sobre o que nos diz José Arruda em seu texto: “(...) a reunião dos lotes de terra dispersos numa área contínua que permitiria ao seu proprietário isolá-la das demais propriedades ou posses, transformando a terra em mercadoria e criando condições para a especialização da produção, a intensificação da divisão social do trabalho agrícola e a penetração mais intensa no campo.” (ARRUDA, pg. 19). Os cercamentos gerarão grandes conflitos sociais, pois por meio deles estava sendo atingido o que restava do antigo sistema feudal e as bases do capitalismo começaram a se instaurar. Estes conflitos levaram a Inglaterra a grandes transformações quando vemos que no século XVI os cercamentos de grandes propriedades “(...) intensificando o êxodo que, por sua vez, resulta em infinita variedade de trabalhos marginais, criando um exercito de reserva para a composição dos exércitos mercenários ou para atividades manufatureiras” (ARRUDA, pg. 20).
            Cromwell é um protestante puritano que não deseja nenhuma aproximação da Inglaterra com a Igreja Católica. Isso devido ao fato do rei Carlos I ter se casado com uma católica e possuir uma política duvidosa sobre o assunto, pois o rei deseja levar o anglicanismo para longe do calvinismo e os puritanos viam nisso uma reintrodução do catolicismo romano. Em um momento do filme vemos Oliver
Cromwell revoltar-se dentro da igreja devido ao fato do rei Carlos I ter autorizado o Arcebispo a reintroduzir símbolos católicos no altar, resultando que Cromwell destrói todos os símbolos por ele considerados idolatras. Neste instante em particular do filme remete-me ao que nos é relato por José Arruda, quando mostra-nos o poder que “A Igreja Anglicana transformou-se então num instrumento direto do poder do Estado, cabendo ao Rei à indicação dos bispos” (ARRUDA, pg. 52).
            No filme Carlos I pede dinheiro ao parlamento para o conflito religioso na Escócia que havia invadido o Norte da Inglaterra em 1639, mas o parlamento nega seu pedido, Oliver Cromwell fala de democracia ao rei. Descontente com o parlamento o rei começa a mandar prender e decapitar os seus membros incluindo Cromwell que o desafia e   ameaça de uma guerra civil. Neste momento sou levado a pensar nas palavras de Arruda ao afirmar que “Isto colocava a monarquia diante de uma falência iminente. Não restava alternativa a não ser reunir o Parlamento (...)” (ARRUDA, pg. 73).
            Agora a trama cinematográfica começa a desenvolver-se com o inicio da Guerra Civil onde fica claro a falta de um exercito nacional permanente por parte do rei ao ser necessário contratar mercenário para lutar ao seu lado com os Realistas também chamados “Cavaleiros” contra as forças do parlamento. Os revolucionários eram chamados de Puritanos ou “Cabeças redondas”. Deste o inicio da Guerra Civil temos nas palavras de Arruda a difícil tarefa dos Puritanos que “O inicio da guerra foi desastroso para as milícias arregimentadas pelo Parlamento, pois não eram tropas profissionais e, portanto pouco adestradas no uso das armas.” (ARRUDA, pg. 78). Coube então a Oliver Cromwell com o título de General liderar o treinamento e organizar as tropas Puritanas do parlamento para enfrentar os Realistas partidários do rei como pude observar no filme. O evento que culminante da Guerra Civil foi a Batalha de Naseby em julho de 1645, segundo os dados do filme, aonde as tropas lideradas por Oliver Cromwell e Lorde Fairfax massacram as tropas Realistas lideradas pelo próprio Rei Carlos I. Nesse momento do desenrolar cinematográfico levo-me aos textos de José Arruda que nos mostra claramente o desenrolar desses eventos, como vemos:

“Coube a Oliver Cromwell, um puritano (...), criar o Novo Modelo do Exército (New Model Army), constítuido de forma revolucionaria, pois a ascensão não se fazia por nascimento e sim por merecimento, estimulando entre os próprios homens a livre discussão, o que, flagrantemente contrariava as elites do exército revolucionário. (...) E finalmente, em Naseby, em 1645, os liderados de Cromwell derrotaram os comandos do Príncipe Rupert que liderava as tropas Realistas. Terminava a guerra civil (...).”
(ARRUDA, pg. 78-79)

            Cromwell assume o controle do parlamento como observei no filme e elabora com o mesmo os termos de paz que o próprio Cromwell entrega ao rei Carlos I, mas o mesmo não aceita os termos e inicia uma trama para uma segunda guerra civil. José Arruda passa-nos todos esses eventos de forma clara ao contar-nos que no ano “(...) de 1646, o comandante Lorde Fairfax, em nome do Parlamento toma Oxford, obrigando o Rei Carlos I a fugir para a Escócia. (...) Os setores mais conservadores do Parlamento, os presbiteranos, passam a tramar junto ao Rei, pretendendo livrar-se do exército, enviando-o para conquistar a Irlanda, sem pagamento de seus soldos.” (Arruda, pg. 79).
            No filme as palavras ganham vida quando Cromwell decide levar o Rei Carlos I a julgamento por traição e agora Cromwell quer a sua cabeça. Segue agora como Arruda nos passa esses eventos. “Em 1647, o exército aprisiona o Rei com a finalidade de impedir um acordo com o setor presbiteriano do Parlamento. (...) Com a prisão do Rei, os independentes (opositores no parlamento aos presbiterianos), liderados por Cromwell, tinham o controle da situação (...).” (ARRUDA, pg. 80).
            Então temos o inicio das dramáticas cenas que culminam com a execução do Rei. Todos os membros do Parlamento assinam um documento sentenciando o Rei Carlos I a morte. O Rei com uma Bíblia na mão ao saber da decisão encarra corajosamente sua execução, dirigindo-se até o carrasco. O Rei faz um breve discurso e posiciona-se para execução, depois de um breve sinal seu o carrasco desce o machado. No Texto a Revolução Inglesa de José Arruda, temos com extrema exatidão em suas palavras os motivos que levaram a tal decisão: “Consciente do perigo representado pelo Rei, em constante ameaça de  restauração, o Exército força o julgamento e a condenação do Rei pelo Parlamento depurado. No dia 30 de janeiro de 1649, Carlos I foi decapitado.” (ARRUDA, pg.81).
            Uma República é instaurada na Inglaterra em 19 de maio de 1649. A 20 de Abril de 1653 é dissolvido o Longo Parlamento, constituindo-se uma Assembleia composta pelos partidários de Cromwell, incumbida de preparar uma nova Constituição. Em 1657 um novo Parlamento foi convocado, oferecendo ao próprio Oliver Cromwell a realeza como podemos ver no filme. Cromwell rejeita com zombaria tal pedido. Com a “Revolução Gloriosa” de 1688 como nos mostra Arruda, que se “Tratava, isso sim de um complemento da Revolução de 1640, pois com ela, ou mais especialmente com a Declaração dos Direitos (Bill of Rights), de 1689, consolidava-se o Estado burguês criado pela Revolução anterior.” (ARRUDA, pg. 88).

Bibliografia:

ARRUDA, José J. A Revolução Inglesa. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988. Pp. 76,

HUGLES, Ken. Cromwell, o homem de ferro. [Filme-vídeo]. Produção de Andrew Donally, direção de Ken Hugles. 1970, 1 DVD

As Revoluções Burguesas

Questão (2). Do trabalho em grupo sobre “As Revoluções Burguesas” de Paulo Miceli.
2. O autor destaca que entre a Revolução Inglesa e a Revolução Francesa havia muitas diferenças. Porém, em seguida afirma [...] Apesar das diferenças, assemelham-se no que pode ser essencial. Explique o significado desta colocação de Miceli.

            Quando o autor Paulo Miceli afirma que apesar das diferenças ambas as revoluções são semelhantes no que pode ser essencial, ele está nos mostrando que as mesmas tiveram origens e culminaram em finais semelhantes. A execução por decapitação tanto de Luís XVI da França como de Carlos I da Inglaterra foram realizadas por aquilo que seus executores e os historiadores chamaram revoluções burguesas. Quando ambas as revoluções executaram seus reis procuravam não somente sepultar os reis, mas principalmente tudo que eles representavam de antigo e ultrapassado na sociedade. As revoluções conquistaram a crença das pessoas partindo das condições reais de existência da população. Foram divulgadas na linguagem comum, falando das dores e apontando as soluções. Isso ocorria porque desse grande número de pessoas que acreditavam dependia o sucesso ou o fracasso da revolução. Por isso um camponês que viveu na Inglaterra de 1614 a 1655, pode figurar no mesmo enredo em que aparece um tecelão que nasceu na França, em 1757.  Assim sendo ambas as revoluções, inglesa e francesa deixam de ser nacionais e saltam no tempo para se transformarem em acontecimentos mundiais, pois constituem etapas importantes na construção do mundo burguês no qual vivemos até a atualidade.
Bibliografia:
MICELI, Paulo. As revoluções burguesas. São Paulo: Editora Atual, 1994. Pg. 15-17.
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