NOTA AOS LEITORES!

Sejam todos bem vindos!

Está é uma página suplementar do blogue Construindo História Hoje (http://www.construindohistoriahoje.blogspot.com.br), estando a mesma vincula de modo factual ao blogue original e tendo as mesmas prerrogativas. As postagens apresentadas aqui podem conter conteúdo que expanda o universo dos estudos históricos para outras áreas e podendo ir além com abordagens variadas tão quantas o conteúdo. Deste modo distingui-a do blogue original que possuí seu foco unicamente nos estudos históricos.

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Liberdade, caminho da escravidão!



Todos os sofrimentos do mundo moderno se originam de um só defeito da grande máquina: a falta de disciplina.
O conceito da liberdade excessiva, o predomínio do individualismo mais desenfreado determinou o desequilíbrio social que perturba o ritmo da vida do nosso século.
Desde a Revolução Francesa, outro não tem sido o grito da humanidade senão aquele que atroou todos os recantos do mundo e do século:
- Liberdade! Liberdade!
E foi a liberdade que espalhou pelas nações as doutrinas mais contraditórias, as afirmativas mais absurdas, os brados mais lancinantes de angústia do pensamento e do coração.

BANQUEIROS ESCRAVIZAM O MUNDO

Liberdade! Clamava o homem e, chamando, tratava de conquistar os meios com que pudesse exercer, com forte base econômica, a faculdade de ser livre.
Foi assim que se formaram os primeiros capitais da avareza.
Liberdade! Clamavam os banqueiros, e foi assim clamando que dominaram as Nações, escravizaram as indústrias e o comércio, humilharam os produtores.
Liberdade! Clamavam os industriais e comerciantes e, entregues às leis da concorrência, livraram-se da disciplina do Estado mas caíram no cativeiro dos agiotas.
Liberdade! Clamavam os patrões e, em nome da liberdade de contrato, passaram a explorar os pobres, e o trabalho humano transformou-se em mercadoria sujeita às leis da oferta e da procura.

BANCO DE HORAS

Liberdade! Clamavam, por sua vez, os proletários, os quais, assistindo ao espetáculo de luxo e paganismo de seus chefes, endureceram o coração e lançaram-se nas tremendas lutas de classe, feitas de ódio e de revolta.
Liberdade! Clamavam os pais, os esposos, os filhos, e ruiu a estrutura dos velhos lares felizes e tranqüilos.

FAMILIA DESTRUIDA

Liberdade! Clamavam a imprensa, e na livre concorrência comercializou-se ao gosto depravado das turbas, que precisou agradar, e dos argentários, aos quais precisou vender-se.
E, em nome da liberdade, o gênero humano caminha para a ruína total, destruindo o ritmo de sua existência com a morte da disciplina.
A indisciplina destrona a modéstia e erige em ídolo a vaidade e o orgulho; transforma o amor em puro instinto sexual; reduz a amizade a uma questão de oportunidade; considera a honra como um ponto de vista; examina os costumes como relatividade de convenientes; semeia o ódio sobre a terra; cria uma civilização de rebelados.

SIMPSONS
Já o homem não sabe defender-se dos vícios. Libertando-se da disciplina do espírito, cai na escravidão dos instintos.
O homem, agora, é livre. Livre de todos os preconceitos. Não tem sentimento nem religioso nem cívico. A Pátria, que é a Pátria, depois que lhe deram a significação meramente política de “vontade geral”? A Pátria é uma convenção.
Assim julga a mentalidade capitalista. Assim também a imagina a classe operária.
É que a Pátria, ela mesma, é uma expressão de disciplina. E  tendo desaparecido a disciplina, desaparece a Pátria.
Dessa forma a humanidade marcha até a Grande Guerra.
Culmina no seu delírio e desce, agora, a encosta dolorosa da desilusão, da tristeza surda, da insatisfação.

DISCIPLINA E DIALOGO

Essa insatisfação não se aplacará em qualquer regime, seja ele qual for.
O próprio comunismo é uma ilusão. Pois, devemos impor uma atroz disciplina, virá contrariar o individualismo, que atualmente busca nele o derivativo máximo.
Liberdade! Liberdade! Nunca o gênero humano foi mais infeliz! Nunca foi tão prisioneiro... Nem mais escravo.
E a liberdade é o supremo dom do Homem. É a dignidade da nossa Espécie. É a alegria dos nossos movimentos. É nossa honra e nossa glória, nossa aspiração superior.
Quem a degradou assim? Quem a tornou uma enfermidade e um opróbio?
O Liberalismo.
Como salvaremos a Liberdade?
Pela disciplina.


DOREA, Augusta Garcia Rocha (Org.). O Pensamento Revolucionário de Plínio Salgado, São Paulo: Ed. Voz do Oeste, 1988.




quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Capitalismo - Propriedade - Burguesia


Gustavo Barroso

            A tática dos comunistas marxistas foi sempre estabelecer confusão entre as palavras - capitalismo, propriedade, burguesia, riqueza, capitalista, de significação diversa da que lhe emprestam, com o único fim de lançar as classes da Nação umas contra as outras e mais facilmente a destruir.

            O Integralismo precisa dar a essas palavras seu verdadeiro significado  e o Integralista deve sabe-lo.

            Capitalismo não é a propriedade. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou abuso, porque cada indivíduo pode, se tiver dinheiro, especular no sentido de fraudar e oprimir os outros. Capitalismo é o regime em que o uso da propriedade se tornou desordenado, porque cada indivíduo pode agir à vontade e produzir sem se preocupar com as necessidades da coletividade, causando o desemprego, as falências, os salários ínfimos e a carestia da vida. Capitalismo é o regime em que um indivíduo ou um grupo de indivíduos pode açambarcar as propriedades por meio de trustes, cartéis ou monopólios. O Capitalismo, portanto, em última análise é um destruidor da propriedade.

            A propriedade não deve e não pode ser suprimida. Deve e pode ser disciplinada. A propriedade é a projeção do homem no espaço, a garantia de sua velhice e a estabilidade de sua família. A propriedade é legítima quando provém do trabalho honesto e quando empregada no sentido do interesse nacional. Deve ser dada a todos quantos a mereçam sem distinção de classes. A propriedade obtida desonestamente não deve ser mantida. A propriedade empregada em sentido contrário ao interesse nacional deve ser posta nos seus verdadeiros termos. Por isso, o Integralismo só admite o direito de propriedade condicionado pelos deveres do proprietário.

            Capitalista não é todo indivíduo que possui dinheiro. Há capitalistas produtores e benéficos como há capitalistas aproveitadores, especuladores, ociosos e indolentes. Há capitalistas chefes de empresa que trabalham mais do que qualquer dos seus operários. A palavra capitalista não tem o significado limitado e pejorativo que lhe emprestam de caso pensado os comunistas.

            Burguesia não é uma classe, é um estado de espírito. Burguês é todo indivíduo que só pensa em si, que vive somente para si. Se for dono duma fábrica, não hesitará em atirar à miséria todos os seus operários para não diminuir um vintém de seus lucros. Só será pela união e pela paz social dos Brasileiros, se isso lhe der lucro. Só compreende a solidariedade nacional em seu proveito. Só pensa na miséria de seus compatriotas para fazer dela um degrau para subir. É um indivíduo nocivo.

            O espírito burguês limita os horizontes aos interesses pessoais. Há grande número de operários, de sindicalistas e de agitadores comunistas que têm espírito burguês, como há muita gente da chamada burguesia que o não possui.

            O que se deve combater não é a denominada classe burguesa, porém a casta que quer sozinha governar o país. O Integralismo é contra a luta de classes e, portanto, contra o domínio duma casta. O governo deve ser exercido por uma elite recrutada em todas as classes e formada pelo estudo, pela luta, pelo trabalho e pelo sacrifício. NUNCA PELO DINHEIRO!

            A supremacia do dinheiro é ilegítima. A supremacia dos valores intelectuais e morais é legítima.

            O Integralismo quer e organizará um governo legítimo.


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Você quer saber mais? 

BARROSO, Gustavo. O que o Integralista deve saber. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1935; transcrito integralmente das páginas 135, 136 e 137.
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