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quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

O que são os Vedas?


Basicamente os Vedas são as quatro escrituras básicas (Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas),  os Puranas (cujo principal é o Srimad Bhagavatam), os épicos - o Mahabharata (do qual o Bhagavad-gita é a seção mais importante) e o Ramayana, os Upanishads, os Sutras (mais famosos sendo o Vedanta Sutra e o Yoga Sutra), as ciências auxiliares (ayurveda, astrologia, etc.) e os comentários ou livros escritos pelos grandes mestres baseado nesses textos.

As quatro escrituras, Rg, Yajur, Sama e Atharva-Vedas, descrevem os elaborados rituais e mantras usados na religião do povo nos tempos védicos, que se centrava na adoração de semideuses (ou deuses da natureza). Assim, como encontramos praticamente em toda a parte do mundo antigo (Grécia, Roma, Egito, Norte da Europa, América do Sul, etc.) a adoração de seres como o deus do sol, deus dos ventos, do mar, etc., também encontramos exatamente isso como sendo a religião popular da época védica. Por envolverem intricados rituais que não são mais seguidos, essas quatro escrituras não são úteis atualmente. Nelas praticamente não encontramos a verdadeira jóia do conhecimento e práticas espirituais de auto-realização em yoga, em puro amor ao Senhor Supremo.

Os Upanisads são muito em número (mais de 108). São tratados filosóficos sobre a Verdade Última, sobre a Realidade. Entre os Upanishads, um dos mais importantes é o Sri Isopanishad (disponível em Português impresso e em áudio MP3). Ele se destaca por ser o único que é diretamente parte de uma das quatro escrituras básicas, sendo parte do Yajur Veda.

O Srimad Bhagavatam é o Purana mais famoso e um livro de espantosa beleza, profundidade, riqueza, filosofia e sabedoria. Ele revela em grande detalhe a natureza de Deus, da alma, do “reino de Deus”, do mundo material, do processo de auto-realização, do problema e inutilidade inerente da adoração de semideuses e importância de buscar Deus acima deles, do efeito da consciência na matéria e vice-versa e muito mais. O livro tem 12 Cantos, com mais de 14 mil versos. Sua versão traduzida e comentada por Srila Prabhupada contém 19 mil páginas e está disponível em Português.

O Bhagavad-gita tem toda uma posição especial dentre os Vedas (ou literatura védica), pois apresenta o aspecto mais refinado da filosofia e prática espiritual védica - o caminho da auto-realização em yoga. É um resumo de toda a espiritualidade e filosofia da cultura védica. É o texto mais importante sobre yoga e auto-realização e é aceito como o livro base da tradição da espiritualidade e religião da Índia.

No Bhagavad-gita se descrevem as diferentes etapas do caminho do yoga (karma, jnana e bhakti). De todas as práticas de yoga, Krisna explica no Bhagavad-gita, no verso 6.47, que a prática superior é bhakti-yoga (yoga com devoção ou consciência de Krishna). A conclusão do Bhagavad-gita é que a essência de todo o conhecimento védico é a pura consciência de Krishna. Essa declaração encontramos no Capítulo 15, verso 15, onde Krishna diz, “Através de todos os Vedas, é a Mim que se deve conhecer. Na verdade, sou o compilador do Vedanta e sou aquele que conhece os Vedas.”.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

A Arte da Guerra de Sun Tzu



Muito pouco se sabe sobre Sun Tzu. Especula-se que ele tenha nascido por volta de 544 a.C e falecido em 496 a.C. É considerado grande estrategista militar e é autor de A arte da guerra, uma obra clássica sobre táticas militares.
O historiador Su-ma Ch’ien, a única fonte sobre Sun Tzu que restou, apresenta-o como tendo sido um general que viveu no Reio de Wu no século VI a.C.
Apesar de muitos puristas admitirem que a única e legítima filosofia foi aquela que nasceu na Grécia por volta do século V a.C., ele é considerado por muitos como um dos pilares fundamentais da chamada filosofia oriental.

Quando nos empenhamos numa guerra verdadeira, se a vitória custa a chegar, as armas dos soldados tornam-se pesadas e o entusiasmo deles enfraquece. Se sitiarmos uma cidade, gastaremos nossa força e se a campanha se prolongar, os recursos do Estado não serão iguais ao esforço. Nunca esqueça, quando as armas ficarem pesadas, seu entusiasmo diminuído, a força exaurida e seus fundos gastos, outro comandante aparecerá para tirar vantagem da sua penúria. Então, nenhum homem, por mais sábio, será capaz de evitar as conseqüências que advirão.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você conhece a si mesmo, mas não o inimigo, para cada vitória conquistada, você também sofrerá uma derrota.
A invencibilidade está na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Quem se defende mostra que sua força é inadequada; quem ataca, mostra que ela é abundante.
A estratégia sem tática é o caminho mais lento para a vitória. Tática sem estratégia é o ruído antes da derrota.
Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas.
Mantenha-os sob tensão e canse-os.
A vitória é o principal objetivo na guerra. Se tardar a ser alcançada, as armas embotam-se e a moral baixa.
Aquele que é prudente e espera por um inimigo imprudente será vitorioso.
Se numericamente és mais fraco, procura a retirada.
É preferível capturar o exército inimigo a destruí-lo. Obter uma centena de batalhas não é o cúmulo da habilidade. Dominar o inimigo sem combater, isso sim é o cúmulo da habilidade.
O principal objetivo da guerra é a paz.

TZU, Sun. A Arte da Guerra. Coleção Leitura. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 1996.

A Arte da Guerra, em um livro de bambu época do reino do Imperador Qianlong, século XVIII. 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

A “Ponte de Adão” ou “Ponte de Rama” citada no Ramáiana é localizada.



A NASA capturou imagens de uma misteriosa e antiga ponte entre a Índia e o Sri Lanka. A ponte era transitável a pé supostamente até 1480 d.C, quando um ciclone de  areia  a destruiu.

Esta ponte recém-descoberta tem-se verificado ser feita de uma cadeia de calcário. Sua curvatura única e composição por idade revela que é feita pelo homem. Atualmente, a ponte nomeada como Ponte de Adão (mais popularmente conhecido como Setubandha) possuí cerca de 18 milhas (30 km) de comprimento.

A ponte de Adão também é chamada ponte de Rama porque está escrito no Ramáiana que foi construída para permitir a Rama atingir a ilha de Lanka onde a sua esposa Sita estava prisioneira do rei-demônio Ravana.

Esta informação é um aspecto crucial para uma visão sobre a lenda misteriosa chamada Ramayana, segundo a qual a ponte foi construída sob a supervisão de Rama.

Esta ponte começa na Índia, na ilha de Dhanushkodi Pamban e termina na ilha de Mannar no Sri Lanka. A profundida entre a Índia e o Sri Lanka é de apenas 3 a 30 pés (1-10 metros) de profundidade. Devido às águas rasas, esta ponte apresenta um problema para a navegação de grandes navios que não podem viajar nas águas rasas do canal Pamban.

A ponte foi mencionada por Ibn Khordadbeh no seu Livro de Estradas e Reinos chamando-lhe Set Bandhai ou "Ponte do Mar". Mais tarde surge referida em trabalhos do século XI, por Al-Biruni.

O nome Ponte de Adão provavelmente provém de uma lenda islâmica, de acordo com a qual Adão teria usado a ponte para atingir o Pico de Adão no Sri Lanka, onde ficou apoiado sobre um só pé durante um milhar de anos, deixando uma grande marca que se assemelha a uma pegada. Tanto o pico como a ponte receberiam, pois o nome de Adão por causa desta lenda. O nome Ponte de Rama ou Rama Setu (sânscrito; setu: ponte) foi dado a esta ponte de baixios em Rameshwaram, na mitologia hindu identificando-a com a ponte construída pelo exército de Rama formado por homens-macacos ditos Vanara, usado para chegar a Ceilão para salvar a sua esposa Sita do rei Rakshasa, Ravana, como descreve o épico sânscrito Ramáiana. .

O mar que separa Índia e Ceilão é chamado Sethusamudram "Mar da Ponte". Mapas de um cartógrafo neerlandês de 1747, disponíveis em Tanjore na biblioteca Saraswathi Mahal designam a área de Ramancoil, forma coloquial do termo tamil Raman Kovil (templo de Rama) Outro mapa da Índia Mogol de J. Rennel em 1788, na mesma biblioteca, chama a área de "Rama Temple". Muitos outros mapas presentes no atlas histórico Schwartzberg's  e outras fontes chamam à área nomes como Koti, Sethubandha e Sethubandha Rameswaram, entre outros. Valmiki Ramayan chamou à ponte construída por Rama Setu Bandhanam no verso 2-22-76.

O mapa mais antigo que chama à zona "Ponte de Adão" foi concebido por um cartógrafo britânico em 1804.


Há um impasse entre os geólogos. Alguns geólogos argumentam que esta estrutura é natural enquanto outros sustentam que é feita por mão humana. O Supremo Tribunal de Madras afirmou numa ocasião que a estrutura era artificial.
A descoberta desta ponte não é apenas importante para os arqueólogos, mas também dá uma oportunidade para que o mundo saiba uma história antiga ligada à mitologia indiana.

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quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Antropogênese Suméria: a origem dos humanos.


A história mesopotâmica da criação é hoje melhor conhecida graças a várias edições babilónicas de Enuma Elish, o Poema da Criação, guardado nos arquivos dos templos. Estas versões são baseadas em traduções, ampliações e adaptações de textos ainda mais antigos da Suméria, Acádia e Assíria. Não há dúvida de que os elementos básicos fizeram parte da tradição cultural e oral em toda a região muito antes de terem sido escritos. Segundo estes contos antigos, o mundo inicial tinha uma natureza sombria e selvagem. Gerações de deuses e de demônios misturaram-se numa escuridão em remoinho, deixando em cada um sangue derramado e carne despedaçada, deuses filhos devorando seus pais para obterem os seus poderes divinos.

Os mitos fornecem vários cenários explicativos da separação da terra, da atmosfera e do céu, assim como para a criação do homem. As divindades supremas da Suméria eram o deus do céu, An, que governava atmosfera; Enlil, responsável pelo ar e pela terra, e a deusa Ninhursag. O quarto deus Enki, que governava entre a água e a terra, tinha diferentes papéis em diferentes mitos. Os Babilônios alteraram-lhes os nomes, mas não os papéis. An, por exemplo, passou a ser Anu, Enil tornou-se Ellil e Enki passou a ser Ea.

No Enuma Elish, os velhos deuses travavam grandes batalhas contra os deuses jovens.

A deusa demoníaca Tiamat, a divindade feminina do caos e consorte de Apsu, comandou os exércitos montada no seu cavalo. O campeão dos deuses jovens era Marduk, um guerreiro divino com quatro olhos, quatro orelhas e que deitava fogo pela boca. Montava um dragão com chifres e as suas armas eram os ventos e o raio.

Na terrível batalha que se seguiu, Marduk apanhou Tiamat numa armadilha de rede. De cada vez que ela gritava de raiva, ele forçava um dos sete ventos a entrar-lhe pela garganta abaixo até ela ficar inchada e indefesa.

Marduk despedaçou Tiamat e fez o céu, as estrelas e os planetas com a parte de cima do corpo dela, tendo aproveitado a parte de baixo para fazer a terra. Os seus muitos seios foram amontoados para formar montanhas. Os rios Tigre e Eufrates correram-lhe dos olhos.

Marduk organizou depois a paisagem obtida com esta criação, e, claro, deu-lhe um sol, Shamash.

Como recompensa por estes trabalhos, Marduk passou a ser o chefe dos deuses.

Os deuses jovens festejaram a derrota de Tiamat e o plano que traçaram do céu e da terra. Porém, o júbilo esfumou-se quando descobriram que as várias divindades que deveriam desenvolver um trabalho árduo, não gostavam de trabalhar. Os deuses da terra e do ar aborreciam-se com o imenso trabalho que era escavar os canais de irrigação, semear e colher os cereais para alimentar os outros deuses. Queixavam-se amargamente acerca destes fardos ao deus supremo, Anu (An) e ao vasto panteão de deuses. A hierarquia de trabalhadores divinos necessitava de uma base mais ampla.

Ea (Enki), deus das palavras mágicas, auxiliado pela deusa-mãe, fizeram pequenas figuras de barro que deveriam fazer os trabalhos por eles. Como punição pelo papel na grande guerra entre os deuses, o general de Tiamat, Kingu, tinha de ser sacrificado para fornecer a força vital à raça de escravos que iria servir os deuses.

Assim, Marduk matou-o e o sangue de Kingu foi usado para animar as figuras de barro.

Não era suficiente que estes escravos humanos fizessem o trabalho dos deuses, tinham também de satisfazer as suas extravagâncias e caprichos. Nas histórias mais antigas, do tempo dos Sumérios, os deuses praticavam jogos cruéis e descuidados com as figuras de barro, criando-os apenas para diversão dos seus senhores preguiçosos e beberrões. Algumas figuras de barro eram deliberadamente deformadas para que os deuses pudessem apostar no comportamento e na vida das criaturas que delas resultavam. Numa outra história antiga, um pastor e um trabalhador rural eram lançados numa competição sem descanso para os deuses poderem apostar qual deles tinha mais valor.

Mesmo assim, os humanos continuavam a ser objetos mortais de diversão dos deuses imortais, cujo préstimo parecia unicamente ser a capacidade de trabalho que tinham - ferramentas descartáveis quando já não prestavam.
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A Lenda da fundação do Camboja, berço da civilização Khmer.


Há muitíssimos séculos, o Camboja era um deserto de areia e de rochedos; não se via o mínimo traço da mais  pequena gota de água, não se ouvia o leve rumor  do mais pequeno riacho. Por todo o lado, enormes montanhas, semelhantes a feras acocoradas, eram calcinadas por um sol ardente. Por vezes, ventos terríveis varriam a terra e engolfavam-se pelas estreitas passagens abertas entre as montanhas, erguendo tornados de poeira. As falésias, pouco a pouco escavadas por estes turbilhões rugidores, abriam-se em cavernas, que imediatamente se enchiam de areia. A própria areia modelava as montanhas, dando-lhes a forma de um leão rugidor ou de uma rã prestes a saltar, esculpia as agulhas entre as quais brincava a luz.

A natureza parecia artificial, demasiado estranha para ser verdadeira. Um dia, dois olhos secos de lágrimas, cobertos por longas pesanas, vagos e desprovidos de sensibilidade, dois olhos que podiam ser os de um cadáver, contemplaram esta paisagem aterradora. Tinham seguido uma pista sem fim, tinham visto inúmeras paisagens, do mar à neve, mas jamais tinham contemplado uma natureza como aquela. Talvez fossem os olhos de um ser humano, talvez os de uma alma sem corpo. Por fim, pela primeira vez desde que abandonara o seu país natal, um sorriso apareceu nos  seus lábios finos e descoloridos. Kambu Svayambhuva tinha finalmente chegado ao termo da sua peregrinação, à terra  onde desejava morrer; a vida era-lhe  demasiado pesada desde que perdera Mera, a mulher que Shiva, a terceira pessoa da Trindade hindu, lhe tinha dado.

Kambu chegou a um vale dominado por rochedos de formas fantásticas e viu m estreito trilho que conduzia a um buraco aberto numa falésia. Entrou numa gruta escura, cujas paredes estavam cobertas de humidade. O sol, a despeito de todo o seu poder, não chegava até ali. Olhou em torno. Estalactites e estalagmites formavam colunas polidas. Acendeu um archote, avançou pela caverna e não tardou em chegar junto de um lago subterrâneo. Deslizou por uma estreita passagem, depois visitou um caos de pedras enormes, por entre as quais murmuravam riachos subterrâneos. A vida, no entanto, não estava ausente dali. Kambu distinguiu incontáveis serpentes, cujos olhos o fixavam. O príncipe era corajoso. Em vez de fugir, puxou da espada e avançou, de arma na mão, para a maior das serpentes, quando esta, para seu grande assombro, se pôs a falar;

---- Quem és tu estrangeiro, que ousas penetrar nas cavernas dos Nagas, os senhores deste País?

----  Sou Kambu Svayambhuva, rei dos Arya-Desha. A minha esposa chamava-se Mera, a mais bela de todas as mulheres. O próprio deus Shiva tinha-me dado. Deixou este mundo, e eu abandonei a minha pátria para morrer no deserto mais selvagem que pudesse encontrar. Acabo de encontra-lo. Agora, podes matar-me.

Esperou a morte com calma, mas, em vez de esmaga-lo entre os seus anéis, a serpente falou novamente:

---- Não conheço o eu nome, estrangeiro, mas falaste de Shiva. Shiva é o meu rei, e eu sou o rei dos Nagas, as serpentes gigantes. Pareces-me corajoso. Fica conosco, neste país que escolheste, e põe fim ao teu desgosto.

Kambu ficou, vivendo numa das grutas, e acabou por amar os Nagas, que eram gênios, amavam os homens e adotavam por vezes a forma humana. Fizeram-se amigos e, a troco da alimentação e hospitalidade que lhe davam, Kambu pôs-se a falar-lhes das belezas do seu país. Descreveu-lhe os vales risonhos onde homens e animais viviam em amizade, onde cresciam o arroz e o algodão, as magníficas cidades atarefadas e felizes, as colinas cobertas de vegetação, o mistério das florestas.

Passaram-se vários anos. Kambu tinha esquecido a sua primeira mulher; desposara a filha do rei dos Nagas. As serpentes desapareceram, depois de terem graças aos seus poderes mágicos, transformado o seu país numa região tão bela como a dos Arya-Desha. O rei pronunciou umas palavras mágicas e gotas de água começaram a cair sobre as rochas. Foi então que Shiva em pessoa se manifestou e exprimiu a sua satisfação. A água tinha aparecido, ia fertilizar e transformar o país. Com a água, manifestou-se a vida, e depois o todo da criação. Kambu estava contente e maravilhado. Dele e dos Nagas ia descender uma nova raça de homens, a que fundaria o reino do Camboja, o reino dos filhos de Kambu.


Através dessa lenda, distinguem-se a origem do povo Khmer, fundadores de Angkor vindo da Índia provavelmente nos primórdios da era cristã, e que teve pouco depois, de lutar contra invasores vindos provavelmente de Java, em duas vagas. Uma delas constitui o núcleo da raça dos Chams, futuros inimigos hereditários do Khmers, e a outra estabeleceu-se em torno do delta do Mekong. Assim nasceu o reino do Fun-Nan, ou reino da Montanha, que alcançou um alto grau de poder sob várias dinastias. No fim do século V da nossa era, o Camboja atual encontrava-se constituído e unido sob o cetro de um príncipe da família real do Fu-Nan, Bhavarman. Todavia, só depois de violentas lutas, tanto contra os Chams como contra os javaneses, Jayavarman II pôde instalar a realeza Khmer na região de Angkor. Um de seus sucessores, Jayavarman IV, iria fundar a cidade de Angkor, onde os reis permaneceriam durante vários séculos.

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ULRICH, Paul. Os enigmas das civilizações desaparecidas. Rio de Janeiro: Otto Pierre Editores, 1978.

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