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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Cartografia


Os desenhos são mais antigos que a escrita, e por isso a cartografia precedeu o registro da História. Nossos ancestrais souberam traçar, embora rudimentarmente, muitas particularidades do terreno, para reproduzir um caminho percorrido. Foram as primeiras manifestações gráficas da preocupação do homem, visando à comunicação através dos itinerários. Assim nasceram os primeiros mapas e essa é até hoje a utilidade imediata da cartografia. Mais tarde, com a necessidade de precisar distâncias, surgiu a primeira unidade de medida: os dias de marcha, que aparecem nos mapas babilônicos gravados em argila (3500 a 3000 a.C.). Outros povos também foram precursores da cartografia, como os egípcios, que na época de Ramsés Ii (1333- 1300 a.C.) efetuavam medições sistemáticas de suas terras. Mas, por todo esse tempo, o mapa manteve a condição restrita de representar porções ilimitadas de terra.
Foram os gregos os primeiros a se preocupar com a representação do conjunto terrestre. Anaximandro, por volta de 500 a.C., observou a obliqüidade da eclíptica em relação ao equador, e pôs em dúvida a concepção da Terra plana, preparando o primeiro planisfério em que supunha o planeta com o formato de um disco. Inaugurava-se a era dos discários. Alguns anos mais tarde, Hecateo, grande viajante, em sua obra Periegesis, reafirmou esse conceito, cosntruindo um disco ao redor do qual colocou as águas do mar, circundando as duas partes essenciais do mundo: Europa e Ásia.
A concepção esférica
No inicio do século IV a.C., Pitágoras teria introduzido a concepção da Terra esférica. A idéia surgiu de especulações filosóficas – “... a esfera é a mais perfeita de todas as formas, portanto, a Terra, obra-prima dos deuses, deve ser uma esfera...”. Observações astronômicas confirmaram a hipótese, e Aristóteles, em 350 a.C., demonstrou a esfericidade do planeta. Depois disso, pode-se medir a obliqüidade do seu eixo de rotação, estabelecendo os conceitos de equador, pólos, trópicos e a divisão da superfície em zonas tórridas, temperadas e frias.
Por volta de 200 a.C., coube a Eratóstenes calcular a circunferência terrestre: 252 000 estadias, ou seja, mais ou menos 45 000 quilômetros, com um erro de 14 por cento quanto à medida verdadeira. A partir daí foi simples estabelecer o raio da esfera terrestre, elemento fundamental na determinação das latitudes e longitudes. Estavam dados os primeiros passos para a definição dos sistemas de projeção cartográficas, ou seja, a transformação da superfície esférica numa representação plana. Hiparco, em meados do século II a.C., inventou o astrolábio, instrumento que servia para calcular a altura dos astros (em relação ao horizonte) e realizou a primeira projeção cartográfica que se conhece, apoiando-se na trigonometria esférica e propondo um sistema cônico de projeção.

A herança de Ptolomeu

Os conhecimentos cartográficos do mundo antigo alcançaram seu ponto culminante na obra de Ptolomeu. Nascido em Alexandria no século II, dedicou dois volumes da sua Geografia ao estudo da construção de globos, projeções e mapas. Considera-se, mesmo, ser este o primeiro atlas geral elaborado.
No decorrer da Idade Média, dominada por superstições, a cartografia conhece uma fase de decadência. Na Europa, utiliza-se o mapa-múndi circular, o Orbis Terrarum do romanos, porém tão deturpado que perdera toda a exatidão geográfica. A Terra Santa ocupava geralmente o centro desses mapas, seguindo-se assim fielmente os textos bíblicos. Substitui-se a aplicação dos conhecimentos matemáticos pela interpretação artística altamente inventiva. Nesta fase, apenas os árabes mantiveram uma atividade cartográfica significativa.
No fim da era medieval, uma descoberta ligada à arte da navegação imprimiu novo alento à cartografia: a bússola, instrumento que indica o norte magnético. Introduzida na Europa por viajantes vindos da China, começou a ser usada pelos navegadores no século XIII.
Surgiram as cartas portulanas, de origem desconhecida, mas que indicam a utilização de bússolas na sua confecção. Com efeito, a característica principal desses mapas é a superposição de uma rede de linhas ligando pontos conhecidos. Tais linhas nada mais representam senão as referencias que os navegantes deveriam utilizar para orientar-se pela bússola. Foram as primeiras cartas marítimas. No  Renascimento outros fatores vieram juntar-se ao emprego da bússola para retomar o desenvolvimento  a cartografia. A redescoberta dos textos de Ptolomeu, que os humanistas italianos, por volta de 1400, traduziram para o latim; a invenção da imprensa, que tirou da cartografia o caráter artesanal; a melhoria das técnicas de navegação, que permitiu ao marinheiro assinalar graficamente sua posição de maneira mais correta.
Com isso, os descobrimentos foram documentados por intensa produção cartográfica. A terra começava a ser representada e m sua forma e dimensão verdadeiras. Contudo, os mapas eram um segredo de Estado e, praticamente, cada nação européia desenvolveu sua própria escola cartográfica, com variações quanto aos conceitos e às formas de representação.

A revolução científica

Somente a partir de 1700 é que a cartografia perdeu, afinal, o caráter decorativo em beneficio da precisão cientifica. Nesta época inventam-se novos instrumentos: no mar, os antigos astrolábios são substituídos pelos sextantes e a determinação das latitudes e longitudes deixa de ser exclusiva da astronomia superior; o cronômetro passa a ser utilizado no cálculo das longitudes; em terra, aperfeiçoa-se o sistema de triangulação na medida dos ângulos, através da introdução dos teodolitos ópticos. As possibilidades dos novos instrumentos permitiram corrigir toda uma série de erros acumulados durante séculos, considerados já como verdades geográficas. Essas descobertas constituíram uma verdadeira revolução que definitivamente separou a cartografia de suas ligações com Ptolomeu.

Mapas Históricos Brasileiros: Grandes Personagens da Nossa História. Ed.Abril Cultural, 1973.



O Colosso de Rodes


Foram necessários 12 anos para construir a estátua
por Maria Carolina Cristianini
A palavra “colosso” não dá nome a uma das Sete Maravilhas da Antiguidade por acaso. Estátua de Hélios, o deus grego do Sol, o Colosso de Rodes tinha 32 metros de altura, o mesmo que um prédio de dez andares. O monumento foi construído para comemorar a vitória dos gregos da ilha de Rodes contra o rei macedônico Demétrio I, que tentou invadi-la em 305 a.C.
A estátua levou provavelmente 12 anos para ficar pronta – sua construção começou em 294 a.C. O escultor Chares, da cidade de Lindos, idealizou o projeto usando como referência outras estátuas do mesmo deus. Todo feito em bronze, o monumento foi erguido nas proximidades do porto e permaneceu em pé pouco tempo, até 225 a.C., quando um terremoto o destruiu. Ali ficou em ruínas até que os árabes invadiram Rodes, no ano de 654, desmontaram as peças quebradas e as venderam.
Vida breve
Monumento ficou em pé menos de 60 anos
1. Pé no mármore
O Colosso foi construído sobre uma base de mármore de 3 metros de altura. As primeiras partes a serem fixadas da estátua, claro, foram os pés, que eram ocos, e os tornozelos. De acordo com relatos do matemático Philon de Bizâncio, 8 toneladas de ferro foram usadas na construção – as vigas do material sustentavam a estrutura interna.
2. Caneleira de pedra
A estrutura da estátua era também mantida por colunas de pedra, que envolviam as vigas de ferro das pernas. Cada um dos pilares de pedra tinha cerca de 1,5 metro de diâmetro. O escultor queria evitar que o Colosso perdesse o equilíbrio e tombasse – por isso adicionou mais peso às porções mais baixas da estátua.
3. Montanha artificial
Para facilitar a construção, os operários fizeram rampas de terra e madeira ao redor da estátua. Cerca de 13 toneladas de bronze foram usadas no revestimento do monumento. Cada placa de bronze tinha que ser cuidadosamente fundida e martelada no formato certo. Elas eram então levadas até a posição correta na estátua por cordas e um sistema de roldanas.
4. Ajuda dos inimigos
O ferro e o bronze utilizados na construção da estátua foram provavelmente obtidos com a fundição e venda dos armamentos deixados pelos inimigos na invasão frustrada. Há também a possibilidade de existirem na ilha minas de cobre, estanho (base para o bronze) e ferro – a maior parte deste material foi usada em vigas nas pernas do monumento e em barras diagonais colocadas a partir da barriga da estátua.
5. Braço de ferro
Partes ocas da estátua, como os braços, foram preenchidas com uma mistura de entulho e pedras. Embora não exista registro preciso sobre a aparência do Colosso, ele provavelmente segurava um manto com a mão esquerda, usava uma coroa e tinha a mão direita sobre os olhos (que representava o direcionamento de seus raios de luz).
6. Operário padrão
Por causa da altura do monumento, é provável que grande parte do bronze tenha sido esculpida nas rampas de terra construídas pelos operários. Não há registro sobre o número de trabalhadores – calcula-se que centenas foram contratados também com o dinheiro da venda dos armamentos e objetos abandonados pelos invasores.
7. Cabeça para fora
No final da construção, rampas tão altas quanto a cabeça do monumento foram erguidas – o restante da estátua ficou totalmente coberto pela terra. Quando a obra foi concluída, toda a terra teve que ser removida e o bronze foi limpo e polido pelos operários.



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